terça-feira, 17 de janeiro de 2017

16ª parte- Desabafo

No final da aula o tumulto de sempre, os alunos conversando, professores apressados, os pais se aglomerando em frente ao colégio para buscar os filhos, peruas esperando os alunos, mas algo estava diferente naquele dia, Daniel não estava no meio do “agito”, pelo contrário sentado sozinho no banco próximo à cantina esperando a Juliana, ele não estava a fim de conversar com os colegas. Mas logo perceberam que ele  estava “de bobeira”. A Bruna foi se aproximando, sentou-se ao lado dele e puxou conversa.
            - Oi Dani! O cumprimentou com um sorriso e com uma voz melosa.
            - Oi Bru! Respondeu de forma seca e sem querer conversar ou dar alguma chance para um papo.
            Ela percebeu que não conseguiria desencadear uma conversa, mas insistiu.
            - Como você está gatinho? Está acontecendo alguma coisa? Ela chegou mais perto, colocou a mão sobre a perna dele e tentou olhá-lo nos olhos. Mas foi em vão.
            - Nada! Respondeu virando o rosto e coçando a cabeça. Olhou para a direção de onde a Juliana poderia aparecer, mas não a viu.
            - Você pode confiar em mim Dani! A gente poderia sair mais tarde... o que você acha? Ainda insistindo na conversa.
            - Hoje não! Outra vez, respondeu secamente e sem olhar pra ela.
            - Ok! Não quer conversar, tudo bem. Ela se levantou, ficou brava. Nesse momento chegou a Juliana que sem pensar muito foi falando.
            - Vamos conversar Daniel! Bruna, você poderia nos dar licença, por favor!
            - Já estava saindo, não se preocupe. Ela foi embora empinando o tórax, com um ar de superioridade. Até porque ela era uma das meninas mais bonitas da escola, e sabia que chamava a atenção e ela usava e abusava dessa sua “qualidade”.
            - E aí, vai falar ou vai ficar olhando a Bruna ir embora...
            - Não estou olhando pra ela, estou olhando para a Maria. Ele suspirou, voltou o olhar para a Juliana, ela estava coçando a cabeça como quem diz: Vai falar ou não vai?
            - Ah ta, eu acredito que estava olhando pra Maria. O que você quer, Daniel?
            - É tanta coisa Ju. Em casa, com meu pai, com a igreja e eu acho que estou gostando da Maria, mas parece que ela ficou distante, mandei vários e-mails ela me respondeu um pouco grossa, tentei conversar com ela, mas senti que ela não queria falar comigo. Foi falando devagar, como alguém que vai contando um segredo aos poucos.
            - Você tem certeza que está gostando da Maria, Daniel? Pois se estiver, você precisa mudar algumas coisas. É claro que ela deve estar estranha com você, você se acha o lindo, sai com todas as meninas que te dão bola, no shopping a Bruna só falava de você e com certeza ela escutou tudo. Juliana já respondeu tudo rápido e sem enrolar.
            Ele ficou olhando pra ela, ficou em silencio por alguns segundos e resolveu falar o que estava deixando ele chateado, mas não era uma conversa humilde.
            - Em casa, está muito difícil, eu sei que fiz coisa errada, sabe. Mas fui pedir perdão pro meu pai, ele já achou que eu estava fazendo isso porque queria algo em troca.
            Daniel falava com toda a autoridade que tinha direito, cheio de razão, tentando convencer a Juliana dos muitos problemas pelos quais ele passava. Não conseguiu!
            - Eu não consigo entender, você não sabe o que quer e culpa os outros dos seus problemas.
            - Está tudo muito difícil, não sei o que fazer.
            - Não sabe o que fazer? O que é isso Daniel? Você que me ajudou a buscar a Deus nos momentos que eu mais precisava, estava insuportável a convivência em casa e quando eu fui conversar com você, qual foi a solução que me apresentou? Jesus! Você vai ficar aí se lamentando, deixando de conversar com seus amigos, fingindo ser uma pessoa que não é e não vai procurar a pessoa certa?
            Ela parou, respirou fundo e continuou:
            - Está na hora de decidir o que você quer, você sabe na teoria, que Jesus pode ajudar, mudar, mas você ainda não teve uma experiência com ele. Por que você resiste tanto? Não entendo, é bom para os outros, mas para você não. É isso?
            - O que foi? Eu quero conversar e não ouvir sermão. Poderia me ouvir um pouco? Daniel tentava se defender.
            - Ouvir o quê? Você se lamentando. Para com isso Daniel. Eu passei por uma experiência tão maravilhosa esse final de semana e você não estava lá, a pessoa que me levou até Jesus. E sabe por que você não estava lá, por pirraça, para atingir o seu pai. Porém, você está só se prejudicando.
            - Eu tenho raiva do meu pai, ele exige tudo e mais um pouco, preciso ser o filho exemplo. Desabafou.
            - Ah! Então é por isso que você faz exatamente ao contrário?
            - Posso continuar, eu posso falar? Disse alterando a voz.
            - Claro! Juliana deu de ombros.
            - É que eu queria que as coisas não fossem tão rígidas, que ele não pegasse tanto no meu pé. E eu também, nem sei se gosto de ir à igreja... Sei lá, eu quero sair com os meus amigos, toda vez preciso sair escondido, preciso inventar uma desculpa, contar uma mentira para ir para as baladas. Eu to cheio disso, me sinto mal mentindo para ele, mas eu não vejo alternativa.
            - É esse o problema. Tudo gira em torno de você, o que você pode ou não fazer, na verdade, Daniel, eu não tenho solução para os seus problemas. Estou falando do que vejo com base no pouco que aprendi. O que eu sei é que ir ou não a igreja não faz diferença nenhuma. A questão é uma vida diferente. Enquanto você fica pensando nas coisas que você deve ou não fazer, realmente é tudo muito chato, é religiosidade. Você sabe disso!
            - Eu tenho dúvidas em relação a isso.
            - Dúvidas? Daniel, você precisa se decidir.
            - Se eu mudar será que eu tenho chance com a Maria?
            - Tudo errado. Você não pode tomar uma decisão por causa de uma pessoa. Essa decisão é sua. E viver uma vida de mentiras só vai te levar ao desespero.
            Eles ficaram parados, olhando um para o outro, Juliana queria tanto que o amigo pudesse ver o que ele estava fazendo. Mas não sabia mais o que falar.
            - Você falou que passou por uma experiência legal esse final de semana. Foi com seus pais? Daniel quebrou o silêncio, mudando um pouco de assunto.
            - Foi Dani, estou muito feliz! Meus pais foram assistir à peça que nós apresentamos na praça esse final de semana, eles gostaram muito e no domingo foram à igreja comigo.
            - A Maria também foi?
            - Você sabe que ela foi Daniel... com certeza seus pais te falaram... lembra o ano passado, quando fui conversar com você? Em um ano vi uma mudança na minha vida e agora em toda a minha família.
            Daniel sorriu. Abraçou a amiga.
            - Muito obrigada Ju! Agora eu preciso ir pra casa, falei para o meu pai que só ficaria uma hora a mais na escola.
            - Tchau Dani, eu estarei orando por você!

            Juliana acreditava que por meio da oração muitas coisas poderiam se resolver. E logo depois que o Daniel foi embora, ela foi comer alguma coisa na cantina e foi estudar, pois teria que esperar até às cinco horas para ir embora.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

15ª parte - Precisa ser diferente para valer a pena viver

Mudanças

            A casa estava estranha, faltava alguma coisa, olhou nos quartos, na cozinha e parou na sala, pelo vidro da janela conseguia ver uma árvore e entendeu que não faltavam coisas na casa dela. Era sua família que há muito tempo, sem querer, ela entendia, havia abandonado os sonhos.
            Ela tinha vivido momentos extraordinários, naquele final de semana e agora estava em casa, sozinha como sempre procurando algo. Sabia que era hora de dormir, tinha definido em seus planos, na sua mente, na forma como entendia as coisas que se obedecesse e cumprisse com seus deveres conseguiria tudo o que desejava.
            Compreendeu naquele momento que isso não bastava, queria muito conversar com os pais, mas com certeza estariam trabalhando ou com alguns amigos. Foi engraçado quando se deu conta, de que havia acontecido algo maravilhoso consigo, mas nem passaria pela cabeça dos seus pais. Eles nunca sabiam de nada novo que acontecia com ela.
            Ainda estava em pé na sala quando alguém abriu a porta. Olhou rapidamente e se sentiu desconfortável, parecia que estava fazendo algo errado. Era sua mãe.
            - Maria. Está tudo bem? Miriam perguntou assustada, geralmente esse horário ela estaria dormindo, o que estava fazendo ali na sala.
            - Tudo bem, mãe. Por quê? Perguntou tentando parecer segura e para que a mãe entendesse que seria normal ela ficar na sala. Qual o problema? Só que ela estava com medo. Não conseguia sustentar um olhar por muito tempo, e sedia as pressões dos seus pais.
            - Achei estranho te encontrar a essa hora acordada.
            O olhar da mãe deixou Maria sem resposta, então foi para o quarto sem dizer nada.
            Ela gostaria de voltar e contar tudo para a sua mãe, de falar o que estava sentindo e como sentia falta dela, até foi à porta ficou parada por uns instantes, ouviu a mãe arrumar algo para comer e ouviu o pai chegando mais tarde... foi para o quarto.
Ligou o computador e entrou no facebook, viu que tinha uma mensagem in box.
- Leo?
“Oi Maria, tudo bem? Eu sou o Leo, seu amigo de classe. Nós conversamos no shopping na semana passada. Me add, please. Bj”
Ela ficou interessada, o Leo era bonito, inteligente, tinha gostado de conversar com ele, mas ele também era muito fechado. Adicionou ele no face e respondeu a mensagem.
“Oi Leo, eu estou bem. Já te add. E você, como está? A gente se vê na escola. Bj”.

            De manhã ao acordar estava tudo pronto, sua mãe ainda estava dormindo, seu pai já tinha saído para trabalhar e seu café estava lá, no mesmo lugar. Quem fazia o café para Maria era o seu pai que deixava na garrafa térmica para não esfriar, tinha dois pães, ela sempre comia metade de um e sabia que sua mãe comeria o outro.
            Naquele dia teve coragem de escrever um bilhete para sua mãe.
            “Bom dia!
Sei que você trabalha muito, mas gostaria de um tempinho com você e com o papai, faz quase um ano que não saímos juntos.
Estou com saudades.
Beijos,
Sua filha”

            Ela foi até a frente do condomínio esperar a condução que a levava para escola e foi sorrindo, feliz consigo mesma por ter escrito um bilhete para sua mãe. Quando chegou a escola a primeira pessoa que ela viu foi a Juliana que por sinal estava com um sorriso radiante, até parecia que estava a frente do colégio esperando-a chegar.
            - Como você está?
            - Poderia falar oi, primeiro...
            - Oi Maria. Tudo bem? Juliana falou com um tom de deboche.
            Maria fez uma careta como alguém que não gostou muito do que ouviu e sorriu para a amiga.
            - Eu estou bem.
            - Só, está bem. E o que aconteceu esse final de semana, não vai me contar como foi na sua casa...
            Maria ficou triste, chateada. Juliana entendeu tudo, ela também não conseguia conversar com os pais. Ela explicou que com ela foi assim também e contou sobre a conversa com eles no domingo a noite, como foi bom e que estava feliz.
            - Como eu gostaria de conversar mais com meus pais, ou melhor, conversar pelo menos um pouco com eles. Estão sempre ocupados, trabalhando. Só conversamos quando algo fica muito sério, para resolver alguma coisa, geralmente comigo.
            - Não fica chateada Maria, aos poucos tudo vai mudar.
            Maria sorriu e disse que já estava mudando, pelo menos com ela, pois tinha conseguido deixar um bilhete para sua mãe. Juliana a abraçou toda eufórica e disse que ela mandou muito bem. E daí, tocou o sinal para entrarem na sala.
- Tenho algo para falar com você.
- O que é?
- O Léo me chamou no face.
- Sério?
- Pediu para eu adicionar ele, perguntou como eu estou...
- Hummm, ele é um gatinho. De todos os meninos da sala ele é o mais gato, e ainda mega inteligente, amiga.
- Ele é bonito mesmo, você precisa ver as fotos dele no face, uau.
- (risos) Eu quase nem entro no face. Arrasando corações hein. Cuidado para o Daniel não ficar com ciúmes.
- Vai sonhando.
            A semana na escola foi agitada. Juliana e Maria conversaram bastante com a Bia, que também havia estado na praça assistindo a peça de teatro. Bia estava feliz com tudo o que tinha acontecido, disse que tinha conversado com seus pais sobre tudo que tinha visto e ouvido, a mãe ficou feliz, mas o pai não deu muita bola para o assunto. A Bia sempre foi muito engajada em obras sociais, atenta as necessidades das pessoas, e em relação a esse assunto muito discreta, ela gosta muito de conversar, falava sobre filmes, sobre as pessoas, era direta. Ela já frequentava uma igreja, e cuidava para não decepcionar o seu pai que era muito tradicional. Ela gostou muito da peça, da maneira como apresentaram, da alegria das pessoas, mas apesar de estar animada não estava tão firme e convicta de estar junto com a turma da Juliana quanto a Maria. Ela pensa diferente.
            As três começaram a ficar juntas no intervalo, conversavam bastante e a Bia tentava trazer a Bruna para perto, mas ela não estava gostando da idéia de ficar perto da Maria e muito menos da Juliana que “bancava uma certinha”, ela tinha outros planos.
            Daniel ficou distante o tempo todo, quieto, mal cumprimentava, os meninos brincavam com ele, mas ele não ligava. “Não tava a fim de brincadeira”, era o que ele respondia para os seus colegas que estavam acostumados e “zoar” com a fama de “pegador” dele. Por muitas vezes Maria olhava para ele, só que era outro olhar, de dúvidas e decepções, estava decepcionada com a conversa que tinha ouvido no shopping, quando estavam entrando no cinema e suas dúvidas eram, se ele ia à igreja, era filho de pastor, por que não era igual a Juliana.
            E o Léo estava tentando se aproximar da Maria, sentou-se ao lado dela na sala, perguntou sobre algumas matérias e até arriscava algumas brincadeiras. O Léo aproveitou a distancia do Daniel para falar que não ia muito com a cara dele e que achava ele falso, pois ia a igreja e aprontava muito.
            Maria começou a ver o Daniel como um mau caráter. Um hipócrita!
            Na verdade Daniel estava passando por uma avalanche de sentimentos confusos e também estava com dúvidas. Ficou sabendo pela mãe que Maria tinha ido à igreja e ficou aliviado por não ter ido aquele dia. Tinha que conversar com alguém, só não sabia quem.
            Mas foi Maria quem deu a idéia para Juliana se aproximar do Daniel, apesar da recusa, mas com a insistência de Maria. Ela foi.
            - Oi Dani! Aproximou-se dele, sentou-se ao seu lado.
            - O que você quer Juliana? Algum recado? Ele nem olhou para ela.
            - Não Dani. Nenhum recado. Eu quero saber por que você está assim? O que está acontecendo? Falou rápido e brava, já se arrependendo de ter ido conversar com ele.
            Ele ficou em silêncio, não olhou para ela, fitava qualquer coisa no chão. Ela ainda ficou algum tempo ali. Até porque, já que tinha ido até lá, não iria desistir facilmente. Então quebrou o silêncio.
            - Eu vou embora Dani, eu sei o que aconteceu com você esse final de semana, sei que ficou de castigo, e por isso não foi ao shopping, fique tranqüilo não contei a ninguém. Gostaria de te ajudar, assim como você me ajudou, mas se não quer conversar, eu não vou insistir. Quando precisar sabe que pode contar comigo.
            Ela estava se levantando para ir embora.
            - Ju, fica aqui mais um pouco. Disse com uma voz rouca e pausadamente.
            Ela voltou se sentou ao lado dele e ficou esperando.
            - A Bruna mandou recado falando que quer ficar comigo...
            - Eu tenho certeza que não é isso que esta te deixando preocupado e insuportável, você vai falar sério ou não?
            Ele deu risada.
            - Não, não é, até porque problemas com meninas lindas, eu nunca tive. Falou dando risada e debochando da Juliana. Voltou a ser o Daniel de sempre.
            - Dani, você vai falar algo sério ou não. Ela já estava impaciente.
            - Até gostaria Ju, mas agora não tem como. Podemos conversar depois da aula, você vai ficar aqui na escola?
            - Não iria, mas...
            - Mas então você vai ficar, por favor, preciso conversar.
            - Esta bem. Ela deu um beijinho nele e foi para a sala. Maria já estava lá e quando a amiga entrou a encarou com um olhar de interrogação, mas logo atrás dela entrava o Daniel.
            Em todas as aulas o Daniel estava compenetrado, ouvindo tudo, tirando dúvidas. O pessoal da sala não agüentou e começou a tirar sarro.
            - O que aconteceu com você??? Virou nerd?
            Ele rebatia as brincadeiras.
            - Só estou tirando dúvidas, quero aprender, qual é o problema?

            A sala deu risada e o professor continuou com as explicações.

domingo, 15 de janeiro de 2017

14ª parte - Perdoar é algo sublime e eterno!

A conversa

            - Filha, eu e o seu pai queremos conversar com você.
            - Sim, mãe. O que vocês querem falar?
            Eles se sentaram no sofá da sala, os pais de Juliana sentaram juntos na poltrona maior e Juliana logo a frente deles na menor. Ela olhou para eles esperando para ouvir, até pensou que fosse alguma repreensão.
            - Querida, nós ficamos muito felizes de você ter nos convidado para assistir sua peça, queríamos falar com você há algum tempo, mas não sabíamos como. Notamos uma mudança na sua vida e isso nos deixou muito felizes e ao mesmo tempo curiosos para saber o que teria provocado isso.
            Juliana ficou assustada olhando para eles, ela sempre quis que os pais fossem a igreja com ela, mas não tinha idéia que eles queriam ir, ela tinha medo de convidá-los. Nesse momento o pai começou a falar.
            - No início eu fiquei muito preocupado com você. Fiquei com medo também, pois ouvia os outros falarem que igreja evangélica fazia lavagem cerebral e só pedia dinheiro. Então fiquei observando pra saber se você levava dinheiro pra lá. Mas ao contrário você mudou bastante em casa e eu e sua mãe começamos a conversar sobre essa mudança e ficamos curiosos para conhecer o lugar onde você estava indo, todo o sábado e domingo.
            O silêncio tomou conta do lugar, os olhos da Juliana se encheram de lágrimas, a mãe também estava chorando, por alguns segundos ficaram se olhando tentando entender aquele momento de diálogo que há muito tempo não existia entre eles. Foi a Juliana quem quebrou o silêncio.
            - Vocês são muito especiais pra mim. Por muito tempo nós brigávamos muito, por isso quando comecei a ir à igreja pensei que vocês não iriam aprovar, por isso não os convidava para ir comigo. Até tentei algumas vezes. O meu medo era não ser aceita, ou vocês me proibirem de ir, essas coisas. Mas estou muito feliz! Muito feliz mesmo.
            A mãe de Juliana estava chorando e o pai a abraçou e disse:
            - Nós também estamos felizes, filha. Queremos ir à igreja com você todos os domingos, precisamos entender muita coisa, mas sei que com o tempo vamos aprender. E nós queremos nos desculpar.
            - Desculpar. Juliana ficou pensando. Por quê?
            Nesse momento a mãe começou a falar.
            - Muitas vezes nós só brigávamos com você, gritávamos, pois estávamos perdidos com a mudança pela qual você estava passando. Nunca paramos para te ouvir, para conversar, como estamos fazendo hoje. Perdoa-nos filha, erramos. Mas erramos com a intenção de acertar, nós amamos muito você.
            Foi inevitável segurar as lágrimas e aos prantos Juliana foi até os pais e os abraçou e disse que os amava muito e que ela também precisava pedir perdão, pois por muitas vezes mentiu pra eles. O pai também chorou e foi um momento maravilhoso e cheio de emoção. Mas o que moveu aquele momento e o fez único foi a presença de Jesus naquela família.
            A partir desse dia muita coisa mudou na casa da Juliana, ela e os pais começaram a conversar mais, ainda havia algumas brigas. O irmão continuava pentelhando, mas Juliana começou a ter um pouquinho de paciência com ele. Porém de vez em quando ela gritava e ficava muito brava.

             Na escola, algumas mudanças...

sábado, 14 de janeiro de 2017

13ª parte - Uma nova vida invadiu meu coração

Uma nova vida invadiu meu coração

Domingo

            Cinco horas da tarde e uma correria, a família Lima não tinha o costume de sair no domingo à tarde, mas aquele dia foi atípico, todos iriam à igreja. Juliana estava muito feliz, os pais apreensivos, pois não sabiam o que poderiam encontrar por lá, e ainda teriam que buscar a Maria na casa dela. A Bia não poderia ir, seus pais não deixaram.
            - Vamos mãe, nós estamos atrasados, não podemos chegar tarde é muito chato.
            - Calma Juliana, eu estou terminando de arrumar seu irmão.
            Depois de toda correria, chegaram à igreja, eles foram recebidos muito bem, algumas pessoas vieram conversar com eles e em pouco tempo a família Lima estava mais a vontade na igreja.
            Aquele dia o pastor ministrou sobre a “Grande Comissão”
            - “Nós nos tornamos sacerdotes diante do Senhor, quando aceitamos Jesus, para anunciar as boas novas. O objetivo de estarmos aqui é de transmitir a glória de Deus às pessoas. O propósito de Deus é que sejamos luz no mundo e sal na terra.”
            Juliana ouvia as palavras e estava pensando, por que luz e sal? Por que tenho que transmitir a glória de Deus? Mas outra coisa chamou sua atenção na ministração:
            - “Mateus 28:18-20 nos ensina que devemos ir pregar o evangelho por todo o mundo. Temos que anunciar o evangelho na escola, no trabalho, no shopping, na academia. Em todo o tempo, em todo lugar, em qualquer situação pregai o evangelho”
            Desde que conheceu a Jesus Cristo, Juliana sempre teve o desejo de falar do amor de Jesus e de contar como havia sido transformada para todas as pessoas que ela gostava, mas falar dessa mudança e desse novo amigo para outras pessoas, em todo lugar ainda não tinha passado pela cabeça dela.
            Porém, não conseguia entender, como ela poderia ser luz e sal no mundo. Preciso falar com a Pâmela. Pensou.
            No final do culto os pais de Juliana estavam emocionados, a Maria tinha feito algumas perguntas no decorrer da palavra, mas muitas a Juliana não conseguia responder, prometeu que enviaria um e-mail para ela explicando tudo.
            Elas ficaram conversando, Maria falou que foi muito bom ter ido à igreja com ela e disse que estava feliz.
            - Ju, muito obrigada por ter me convidado para assistir sua peça. Eu precisava de algo diferente pra mim.
            - Eu fiquei muito feliz de te ver lá e de você ter vindo hoje conosco a igreja. Essa é a primeira vez dos meus pais também. Eu venho sozinha faz uns 7 meses.
            - Como você começou a vir à igreja?
            - Bom, é uma  história legal, vou te contar. No ano passado, estava muito triste, pois em casa só havia brigas, minha mãe vivia falando que eu não conseguia fazer nada certo, eu e o meu irmão brigávamos o tempo todo. Eu queria sair com os meus amigos e os meus pais não deixavam, cheguei até a sair escondida uma noite, mas quando voltei meus pais estavam desesperados me esperando. Fiquei de castigo um mês.
            - Nossa. Interrompeu Maria assustada.
            - É, estava tudo chato, eu não conversava muito com meus pais, quando tentava era só briga. Mas eu comecei a conversar um dia com o Daniel...
            - Daniel?! Os olhos da Maria brilharam ao ouvir o nome dele.
            Juliana sabia que ela estava gostando dele e vice versa, sorriu e continuou a história.
            - O Daniel é ... deixa pra lá... ele é legal e me ajudou muito. Ele me convidou para participar do devocional que acontece de quinta-feira no segundo intervalo na escola. Sabe qual eu estou falando?
            - Ah, eu sei. A Bruna tinha me falado que é muito chato, que vocês ficam falando sobre o que pode fazer e o que não pode.
            - Não Maria, não é bem assim. O devocional mudou a minha vida, quando o Daniel me convidou e falou que o pessoal orava, e estudava a bíblia, eu também achei muito estranho, e quis conferir para saber se era verdade. Até porque vindo do Daniel.
            - Por que do Daniel?
            - Ah Maria, acho que você já percebeu, ele é a atração na escola, convencido, fica com todas as meninas, e as meninas correm para os braços dele. E ele se acha o lindo. Juliana parou e viu que a face de Maria não era das melhores. – Me desculpa Maria, já percebi que gosta dele, mas o Daniel não é alguém pra gente gostar, só pra achar bonito.
            Maria sorriu. – pode continuar a sua história, amiga.
            - Bom, então eu fui com o Daniel para o devocional e naquele dia falaram exatamente sobre os problemas pelos quais eu estava passando com minha família e no final a professora que estava falando perguntou se alguém na sala gostaria de aceitar Jesus como Senhor e Salvador. A mesma oração que vocês fizeram ontem. Eu senti algo tão maravilhoso e disse para o Daniel que queria conhecer mais.
            - E foi assim que você começou a freqüentar a igreja?
            - Foi. O Daniel me convidou para ir à igreja no domingo, eu conversei em casa e meus pais deixaram, então os pais do Daniel foram me buscar. E eu amei esse lugar e não saí mais, tem uma pessoa que eu quero que você conheça.
            Juliana pegou Maria pelo braço e a levou até a Pâmela.
            - Oi Pam. Tudo bem?
            - Oi Ju, eu estou bem e você.
            - Tudo bem! Quero te apresentar minha amiga Maria.
            - Eu a conheci, ontem, Ju.
            - É verdade, você orou com ela.
            Maria e Pâmela se abraçaram, e logo se despediram, pois Pâmela tinha que conversar com outras pessoas. Então, Maria perguntou:
            - Ju, se o Daniel te trouxe para essa igreja, onde ele está?
            - Hum... acho que ele não veio hoje...
            - Por quê?
            - O Daniel é cheio de problemas, ele é uma boa pessoa, mas vive se metendo em confusão, e os pais dele são rígidos. Ah o pai dele é aquele homem que ministrou a palavra hoje.
            - O pai dele é o pastor? Maria ficou assustada em saber que o Daniel era filho de pastor.
            - Isso mesmo! Juliana sorriu e completou. – Mas ele não gosta muito desse título.
            - Que título?
            - De filho de pastor!
            As duas deram risada e os pais da Juliana as chamaram para irem embora. Deixaram Maria em casa e depois tomaram um lanche. Quando chegaram em casa, Bruno foi para o quarto e os pais da Juliana foram conversar um pouco com ela.






sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

12ª parte - Um lugar que eu quero estar!

Um lugar que eu quero estar!

Apresentação

            Às 11h30min a apresentação começou, todo o grupo estava ansioso e com medo de errarem alguma coisa, tinha uma boa platéia na praça, todos olhavam atentos a cada gesto, cada fala. Tudo era simples e ao mesmo tempo impactante. Alguns pararam o carro para verem o que estava acontecendo. Outros olhavam curiosos e logo iam embora, e algumas pessoas que andavam pela praça pararam para ver a peça até o final.
            Os pais da Juliana estavam assistindo, Maria também, e, mais alguns colegas da sala. Em alguns momentos eles choravam, em outros riam, mas eles estavam pensando, refletindo sobre o dia-a-dia da vida deles, o que eles estavam fazendo com ela, e qual era o propósito de tudo isso. Maria pensava na sua casa, o quanto ela ficava sozinha e não tinha alguém para aconselhá-la ou ajudá-la em coisas pequenas do dia-a-dia.
            Todos eles estavam procurando resposta, uma identidade, um caminho para seguir, mas não queriam uma vida qualquer, como todo mundo, eram adolescentes que desejavam ousar, mudar, mas não sabiam como. E as falas do teatro estavam tocando o coração, pois respondiam algumas perguntas que eles já tinham feito para si mesmos, mas não ousavam comentar com ninguém.
            O pai de Juliana estava encantado em saber que a filha fazia parte de tudo aquilo e a olhava falando palavras tão bonitas e fortes e começou a entender porque havia mudado tanto, estava mais atenciosa com eles, já não discutia e nem se rebelava quando ouvia um não.
            Já a mãe de Juliana não conseguia entender porque a filha demorou tanto para convidá-la a estar com pessoas tão maravilhosas e para ouvir palavras tão lindas e emocionantes. Ela queria abraçar a filha e agradecê-la por tudo aquilo e dizer que estava muito orgulhosa.
            Seu irmão estava achando estranho, em alguns momentos achava legal, pois ria das palhaçadas, mas em outros tinha medo e teve momentos que pensou: “A Juliana esta falando tudo isso, mas vive brigando comigo?”. Até que ele encontrou outro menino que tinha a sua idade e foi brincar. Os pais nem perceberam a ausência dele.
            E a Maria olhava tudo aquilo e sentia algo especial e estranho, muita coisa ela não entendia, mas estava gostando de tudo e muito emocionada, uma amiga da escola que também estava assistindo a peça estava inquieta e as duas estavam chorando.
            Ao final da peça uma pessoa do grupo de teatro pegou o microfone e falou:
            - Nós não somos atores, mas estamos representando isso para que vocês vejam e ouçam a palavra de Deus e entendam como é importante, ou melhor, essencial, termos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Fomos criados para sermos eternos, porém o pecado nos separou de Deus e a morte começou a fazer parte da humanidade. Deus trabalhou de todas as formas com várias pessoas ao longo dos anos para restaurar o relacionamento do homem com Ele.
            Mas foi necessário enviar seu filho amado para viver no nosso meio e morrer no nosso lugar, Jesus não tinha pecado, mas morreu por mim e por você e hoje nós podemos ter livre acesso a presença de Deus.
            Na bíblia fala que se confessarmos com nossa boca que Jesus morreu para nos salvar, que somos pecadores e nos arrependermos, teremos a vida eterna e uma vida abundante aqui na terra.
            Se você foi tocado por essa peça é porque o Espírito Santo de Deus está agindo na sua vida, então gostaria de saber quem quer aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador?
            Uma pequena multidão de pessoas levantou as mãos e estavam chorando tocadas pela peça e pelas palavras, algumas pessoas da igreja que estavam ali propositalmente para esse momento iam até elas para orarem, no meio da multidão estavam os pais da Juliana, quando ela os viu saiu correndo até eles e chorando os abraçou e explicou o plano da salvação e orou com eles.
            Pâmela pode perceber que perto dos pais da Juliana tinha duas meninas chorando e olhavam para eles como quem pedia para ser ouvida, ela foi até elas perguntou o nome e soube que eram amigas da escola onde Juliana estudava.
            Então ela perguntou se elas tinham alguma dúvida, elas ficaram sem jeito, não sabiam o que perguntas e mais uma vez a Pamela perguntou: vocês querem que eu ore por vocês? Elas balançaram a cabeça dizendo que sim, e as lágrimas corriam pelo rosto. Enquanto Juliana orava com os pais, Pâmela orava com as amiga dela. Realmente as pessoas estavam emocionadas, muitas era só um sentimento, mas em outras havia despertado algo que até então não sabiam que existia.
            Quando alguém toma uma decisão importante que será marcada por toda a vida e pela eternidade é inexplicável, mas decidir servir a Jesus e declará-lo como Senhor e Salvador é vital, é como pensar em alguém que estava em coma por algum tempo e volta a falar e andar, e agir por si próprio. É vida!
            Logo depois, Juliana pôde abraçar a Maria e a Bia, elas estavam felizes, mas ao mesmo tempo com várias dúvidas sobre a peça e até de algumas palavras que foram declaradas, principalmente pela própria Juliana. Ela, então, apresentou as amigas da escola para os pais que as convidaram para almoçar juntos. Juliana pediu para se retirar, pois queria se despedir dos amigos que tinham trabalhado com ela na peça.
            - Oi, Pâmela. Elas se abraçaram, Juliana estava chorando. Você viu que lindo, meus pais vieram assistir a peça e tomaram uma decisão muito importante. Eu não estou conseguindo me conter de tanta emoção.
            - Glória a Deus, Ju! Também fiquei muito feliz, e suas amigas também se decidiram em servir a Jesus.
            - Sério!? Nossa, quanta alegria. Valeu a pena toda oração, jejum, nossos ensaios. Estou muito feliz! Não esperava por tudo isso.
            Pâmela sorriu e abraçando a Juliana novamente disse:
            - Agora, Ju, você precisa convidar seus pais e as suas amigas para estudarem a bíblia, vir à igreja, pois é um tempo novo na vida deles. Eles precisam de ajuda, estar próximos de outras pessoas que também decidiram buscar a presença do Pai por meio de Jesus. Senão as coisas começam a esfriar e tudo o que sentiram, viveram e decidiram hoje vai se perdendo e indo embora com o tempo.
            Juliana olhou para ela assustada, não queria que o que havia acontecido se perdesse e se afastando um pouco, disse: – Eu vou fazer isso! Mas preciso da sua ajuda.
            - Pode contar comigo!
            Elas se despediram e Juliana foi almoçar com os pais e suas amigas. Mas antes tiveram que procurar o Bruno, não o encontrava em nenhum lugar. Ele estava brincando com um amigo, correndo pela praça. Depois de ouvir uma pequena bronca da mãe, do pai, da Ju, ele entrou no carro emburrado, até porque teve que sentar no colo da Juliana, pois as amigas dela iriam almoçar junto com eles.
            Durante o almoço, muita conversa, perguntas, novidades. Os pais da Juliana gostaram muito das amigas dela, e as meninas amaram os pais dela. Bruno ainda estava emburrado, comendo bem devagar, mas eles conversavam tanto que não pegaram no pé dele durante o almoço.