quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Na Escola

Na Escola

“Para todas as coisas Deus tem um propósito”

            Maria Valverde estava sentada na carteira da escola próxima a janela. Ela olhava as nuvens. O dia estava nublado, mas muito abafado. Em alguns minutos da manhã o sol até tentou aparecer tímido, como se fosse inverno, mas o verão de 35° era sentido na pele, na garganta e no olhar. Em alguns se podiam ver o suor escorrendo na lateral da face; em outros, o cansaço e a indisposição; mas havia uma minoria que estava animada com o calor, pois o clube era o destino certo para depois da aula.
            Para Maria as sensações eram outras, não estava preocupada com o calor. Naquele instante olhando pela janela parecia que os segundos estavam lentos, que o mundo tinha abaixado o som para que ela conseguisse ouvir seus pensamentos e imaginar o que deveria fazer.
            Havia chegado o grande dia, e o clima era indiferente, parecia que nada importava mais do que o planejado, o desejado, a sonhada viagem. Ela estava em um mundo particular: o ar mais denso, a respiração mais forte e o coração acelerado num ritmo maravilhoso.
            O toque do sinal da escola avisou que a hora havia passado.
            Ela arrumou seu material apressadamente, enquanto isso seus colegas se despediam, eram abraços apertados, beijos, palavras animadoras e algumas lágrimas. Ele conseguiu colocar tudo na mochila e então viu que a Juliana estava parada na sua frente, neste momento não conseguiu conter as lágrimas e mais uma vez chorou. – Nós vamos nos falar todos os dias, entendeu? Juliana disse isso chorando.
- Eu não vou me esquecer de você. Vou sentir muito a sua falta, mas eu vou voltar, não vou ficar lá pra sempre, são sós 6 meses.
Juliana ajudou a pegar o restante do material e foi com a amiga até a porta.
- Oi. Preciso me despedir de você.
- Oi, Dani. Maria falou sem graça, olhando nos olhos dele.
Não houve muitas palavras, ele deu um abraço forte e disse bem pertinho da orelha.
- Vou sentir a sua falta, mas ficarei te esperando.
- Obrigada por me dizer isso.
Ela se afastou e disse que precisava sair rápido, porque precisava se arrumar, pegar as malas em casa, e seu pai iria leva-la ao aeroporto e não suportava atraso.
Juliana já tinha saído assim que viu o Daniel chegar e foi para o pátio, pois não aguentava mais chorar. Maria saiu da sala, passou pelo corredor. A mochila pesava nas costas. Falou tchau para todos os colegas, e se despediu com beijinhos em alguns. O coração palpitando cada vez mais forte, em poucas horas estaria no vôo, tudo o que era sonho, o que estava no papel estava prestes a se tornar real, não conseguia acreditar. Ela mal conseguia conter a ansiedade desta viagem, ela não acreditava que em poucos minutos estaria voando para a Europa, para conhecer o lugar onde seus avós viveram e se conheceram. Seus pensamentos estavam a toda velocidade e enquanto descia a rampa que dá acesso ao portão principal da escola, ela abriu a bolsa para pegar o celular e ligar para o seu pai, de repente alguém grita seu nome.

- Maria!

            Ela olhou pra trás, com um sorriso estampado no rosto, imaginando que mais alguém queria se despedir dela e desejar boa viagem e não viu o buraco a sua frente. Caiu. A dor foi instantânea, não conseguia pensar em outra coisa a não ser em seu tornozelo, o material havia batido com força no chão, a mochila foi parar longe, tentou se proteger com as mãos, mas quando viu que não havia maneira de remediar a situação caiu no chão se lançando totalmente e pendendo a cabeça para o lado.

Caída no chão, ofegante, tentando entender o que aconteceu, fechou os olhos e quando os abriu tudo começou a rodar, num momento improvável de reflexão pode perceber o quanto era pequena diante da imensidão do universo e pensou, parecia que as nuvens estavam mais rápidas: daqui é tão lindo olhar o céu com nuvens brancas, as árvores que compõe o cenário de beleza e a harmonia alegre do cantar dos pássaros. Deus, ela gritou e sentiu mais forte a dor que subia pela perna.

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