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sábado, 13 de julho de 2019

Adoção - Histórias Importam


"Me casei aos 36. Eu e meu marido, Luis, sempre sonhamos em ter filhos, então, após o casamento, resolvemos não demorar para colocar o plano em prática. Mas a gravidez natural não veio. Primeiro tentamos fazer alguns tratamentos, sem sucesso. Foi aí que a adoção começou a tomar forma em nossa vida. Sabíamos que queríamos ter um filho e não necessariamente uma barriga, mas isso só ficou claro para nós dois depois de dois anos de tentativas, frustrações, tristezas, luto e amadurecimento para mudar o rumo da nossa história – o apoio e o amor do meu companheiro foram fundamentais para redesenharmos nossos sonhos em comum.
Em setembro de 2009, decidimos, então, procurar a Vara da Infância para entrar na fila da adoção. O primeiro passo foi deixar o nome para participar de um curso, que ocorreu em fevereiro de 2010. Saímos de lá com a seguinte impressão: se você não tem certeza em relação à sua decisão, desiste naquele momento. O curso é como um banho de água fria, pois os futuros pais têm que aceitar que a espera pode ser bem longa, podendo chegar a até dez anos e, ainda, que não podemos esperar por uma criança ideal, mas sim conhecer a criança real.
Os passos seguintes demoraram aproximadamente um ano para serem concretizados. É preciso reunir muitos documentos, como atestado de sanidade mental, se reunir com a psicóloga da Vara da Infância de sua comarca e receber a visita da assistente social. No entanto, o mais estranho é ter que escolher as características do filho desejado, entre elas cor, idade, sexo, doenças tratáveis ou não, e se ele pode ter sido vítima de abuso sexual, entre outras coisas que geralmente os pais biológicos não pensam no momento que programam ter um filho. Não colocamos muitas restrições e deixamos claro que queríamos uma criança de até 5 anos, independente do sexo e da cor. Quanto mais restrito o perfil, mais demorada é a espera. A única coisa que gravei dessa conversa desconfortável das escolhas foi a última frase da psicóloga: “O filho de vocês chegará na hora certa e vocês não terão dúvidas de que é ele”.
Em 2013, passado pouco mais de três anos de estarmos habilitados para adotar, começamos a achar que talvez não tivéssemos que ser pais, pois ninguém havia feito contato conosco. Nesse período, viajamos para a Europa e fizemos uma visita a um casal de amigos portugueses. Eles haviam adotado um menino de 14 anos e que estava com 15. Ficamos encantados com o garoto, com sua história, a integração na família, a inteligência e a vontade de viver e ser feliz. Voltamos empolgados com a ideia da adoção tardia.
Pouco tempo depois, participamos de um curso sobre adoção tardia. O objetivo era preparar e despertar os casais para as crianças que crescem nos abrigos e que, muitas vezes, não têm chances de ser adotadas porque já passaram da “idade”.
Para nosso espanto, não havíamos sido selecionados para participar desse curso. Ficamos sabendo por uma amiga. Ao ligar para a Vara e questionar o motivo de não termos sido selecionados, disseram que o curso era para quem tinha o perfil para a adoção de crianças mais velhas. Na mesma hora disse para a atendente: “Então mude nosso perfil para 6 anos”. Essa mudança foi fundamental.
Três meses depois, fomos chamados para conhecer um menino de 5 anos e 3 meses.No final de 2014, recebemos o tão esperado telefonema. Eu estava trabalhando e foi meu marido quem atendeu a ligação. Era a assistente social avisando que havia
um menino pronto para ser adotado. Ele era muito carinhoso e o xodozinho do abrigo. Meu marido ficou tão nervoso que não perguntou nada… Eu queria saber a história do menino, quando iríamos conhecê-lo, e meu marido não tinha as
repostas. Ele estava apenas muito emocionado. Depois disso, tivemos um final de semana repleto de ansiedade. Na segunda-feira, logo cedo, ligamos e marcamos para conhecer nosso filho. O encontro ficou agendado para o dia seguinte, na escola. Quando entramos, parecia que meu coração ia sair pela boca. Lembro que a assistente social nos levou para uma sala e começou a nos contar sobre ele. De repente, fomos interrompidos por um choro de criança e ela nos disse: “É ele, esse é o chorinho dele”. Acho que esse momento foi como um parto para mim, quando o filho nasce e chora para dizer que está tudo bem. Nosso tão sonhado menino concretizou seu nascimento em nossa vida naquele instante. Em seguida, fomos apresentados a ele, que quis nos mostrar que já sabia escrever o próprio nome e fez questão de aprender os nossos. Também insistiu para a gente almoçar por lá já que a sobremesa seria gelatina. Saímos apaixonados. Pronto, era ele. Não tivemos dúvidas. Agendamos as próximas visitas e, depois de um mês, nosso menino, que tem nome de santo, Marcos, – mas que é muito sapequinha – veio morar em nossa casa. Ele chegou próximo do Natal, um presente para deixar nossa vida mais alegre
e colorida.
O período de adaptação é um processo intenso, cheio de aprendizados, alegrias, medos, tristezas e desapego para a criança e uma etapa desconhecida para os pais. Mas com o tempo tudo se acalma. Não vimos o Marcos nascer, mas vimos a emoção dele em conhecer a praia. Foi um momento mágico ver o brilho e a alegria em seu olhar. Foi conosco que ele aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas, e na natação já é um peixinho. É incrível ver como ele tenta imitar o Luis em tudo, com gestos, jeito de falar, forma de se vestir. Ele também cativou, além da família, os vizinhos, pois sempre que encontra alguém na rua diz: “Bom dia com amor e alegria”. Muita gente me pergunta se demorou para o Marcos me chamar de mãe. Foram necessários uns dois meses para que “mãe” saísse com naturalidade. A palavra “pai” foi fácil, provavelmente porque ele nunca teve uma referência de figura masculina.
Eu e o Luis estamos só começando nossa jornada como pais, mas posso dizer que é um crescimento intenso, lindo, e que cada momento vale a pena. É uma evolução mútua. Eu acredito que a adoção tardia é reconhecer seu filho um pouco mais tarde, pois não me lembro mais de como era a vida sem ele. Parece que no fundo ele sempre fez parte da nossa existência. E a cada dia acredito mais que somos todos adotados, por nossos pais, nossos amigos, nossos amores."

Alunos: Leonardo, Sérgio, Thaissa e Yago

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Passeio à Ilha Itacuruçá RJ


Um belo dia eu, meus pais, irmão, tios e prima fomos visitar uma ilha, a ilha Itacuruçá, que fica no Rio de Janeiro. Lá o mar é calmo e tem um rio bem legal que vem das montanhas. Tem muitas conchas e pedrinhas.

Nós brincamos muito!

Eu adorei o lugar é muito legal!

By Tiago Medeiros Belette







Dados sobre a Ilha:

Ilha de Itacuruçá é uma ilha situada entre os municípios de Mangaratiba e Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Possui cerca de 994 hectares e vinte e seis quilômetros de perímetro.
Lugar tranquilo e acolhedor, Itacuruça é bem conhecido por ser a entrada para a famosa Costa Verde, região no sul do estado do Rio de Janeiro que vai até Ubatuba no estado de São Paulo conhecida pela enorme área de Mata Atlântica nesse trecho do litoral brasileiro. O município costuma receber muitos turistas durante o ano, principalmente durante o verão. Muitos cariocas aproveitam o fato da cidade ser tão perto e encontram em Itacuruça a oportunidade de relaxar distante das praias mais movimentadas da capital.
Com diversos pontos turísticos, a cidade de Itacuruçá possui muitas praias, ilhas e alguns lugares históricos para conhecer. Dentre suas praias podemos destacar a Praia Grande, uma das mais movimentadas da região, que abriga quiosques rústicos, onde é servido pratos da deliciosa culinária local e algumas pousadas.
As ilhas mais conhecidas são a Ilha de Itacuruça, Ilha do Jardim e Jaguarium. Outras atrações imperdíveis da região, são as cachoeiras localizadas ao lado serrano da cidade, as belas igrejas da cidade e uma antiga estação ferroviária que hoje abriga um centro cultural.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Léo - Histórias Importam


Meu nome é Léo, tenho 40 anos, sou de Malacacheta- MG.
Cinco minutos não dá nem pra contar um capítulo da minha história.
Meu pai deixou a gente sozinho, uma esposa com doze filhos, saí de casa com apenas nove anos de idade, tive que me virar...
Minha história começou quando eu descobri que gostava de cantar, daí entrei em um circo em Minas Gerais e fui parar em Rondônia. Depois fui para São Paulo com 14 anos, entrei no rodeio e lá tinha show de calouros, fui chamado pra lá e cantei até 19 anos.
Ai recebi uma profecia que ia começar cantar pra Deus. Nunca fui pra escola, aprendi a escrever música sem saber ler e escrever, Deus que me ajudou...
Comecei a louvar a Deus e entrei pra igreja e amiguei com uma mulher de lá, pastor me colocou de banco. Só que não quis parar de cantar e continuei compondo e gravando louvor. Depois ela engravidou e me largou, tenho dois filhos.
Sofri bastante, quando finalmente consegui gravar um CD, gastei muito e não vendi nada.
Hoje em dia minha filha já acabou a escola e quer começar a faculdade. Sou meio bala caipira, mas ela fala que é youtuber, alguma coisa assim, a galerinha acompanha ela... Agora eu canto pra ajudar minha filha a entrar na faculdade.
Já morei aqui uma vez, e voltei há uma semana. Campinas é um lugar bom, eu gosto daqui. Me arrumaram uma casinha sem acabar lá no satélite Iris e venho todo dia até a catedral a pé.
Não tenho a guarda dos meus filhos, mas dou de tudo que eles precisam.
Agora eu estou aqui, vivendo...vamos ver o que a vida tem pra mim ainda...”

Alunas: Ana Flávia, Ana Raquel, Giovana, Lívia e Paola.

sábado, 6 de julho de 2019

Benedita - Histórias Importam


“Meu nome é Benedita e fiz 51 anos agora em 2019. Sou atual ministra da minha igreja e mãe solteira, já trabalhei em vários lugares, mas mantenho meu emprego fixo como empregada doméstica há mais de 25 anos. Como já faz muito tempo desde que estou nesta profissão, já trabalhei para muitas famílias e, atualmente, presto serviços em cerca de três casas, cujos donos são todos parentes. Vi os filhos do casal para qual trabalho diariamente crescerem, e por causa de tudo que já presenciei e vi a família passar, possuo muita proximidade e carinho por eles.
Além disso, esporadicamente, conforme for necessário, presto serviços também para uma senhora. Ajudo com a limpeza da casa e, caso ela precise de algo mais urgente devido à saúde, estou sempre à disposição. Sabe, quando seu marido começou a apresentar traços de Alzheimer, logo depois de se aposentar, foi duro ver e sentir a mudança de ares na casa. A família tentou cuidar dele durante muito tempo conforme a doença progredia, mas infelizmente ele teve que ser deixado aos cuidados de uma casa de repouso. Como estou presente diariamente no cotidiano deles, eu percebo como é difícil toda a situação, e os admiro muito pela força e cuidados que tem com aquele senhor.
Mas falando sobre família: minha filha! Se tivesse que pensar em duas palavras para descrever o que sinto em relação à Dayellen é: felicidade e orgulho! Devido a algumas parcerias com marcas famosas de produtos de cabelo, como a SalonLine e atualmente a Seda, se não me engano, minha filha, “youtuber”, já teve a oportunidade de viajar para fora, para os EUA, e já duas vezes aconteceu de eu acabar aproveitando as viagens também, mas nunca internacionalmente. De vez em quando ela me chama para gravar vídeos com ela, e como ela é descontraída desde sempre, pois como dançarina já participou de programas de tv, acaba esquecendo que sou meio tímida para falar na frente das câmeras! Ainda assim, tenho muito orgulho da minha filha, e como mãe não poderia estar mais feliz com o sucesso dela!”

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Ivone - Histórias Importam


Meu nome é Ivone, tenho 58 anos e vim de Salvador/BA.
Quando eu tinha três meses de nascida, minha mãe disse que eu travei a gengiva e comecei a me bater na cama, aí fui no farmacêutico, que naquela época era quem cuidava da gente. Ele me disse que eu estava com epilepsia. 
Disse também para minha mãe me dar um cházinho de noz moscada com mel de abelha. Tomei isso até os 17 anos.
Foi passando o tempo e ninguém sentava perto de mim, porque achavam que a epilepsia era contagiosa.
Eu continuei tendo as crises, 3 ou 4 vezes no dia... Já aconteceu no ônibus e até na frente do fogão, quando queimei os dedos. Na máquina também, quando estava lavando a roupa. Eu peguei o lençol com sabão e botei na boca.
Mas não era só as pessoas não. O médico mal olhava na minha cara... Comecei a chorar porque uma vez ele disse que eu era maluca.
Nessa mesma época, tive o meu primeiro filho com 17 anos.
Comecei a tomar remédio para não engravidar de novo, porque se eu engravidasse ia ser eu ou a vida da criança.
Mesmo assim, eu engravidei pela segunda vez. Então, me ajoelhei no chão pedindo para que Deus me ajudasse. Como para Deus tudo é possível, minha filha nasceu como se fosse um milagre.
Hoje sou até avó, mas meus filhos não deixam eu segurar os netos porque têm medo de me dar uma crise e derrubar os filhos deles no chão.
Tenho consulta com os estudantes da PUCC, meus estudantes. Eles são tudo para mim. As enfermeiras do postinho Ipaussurama são tudo para mim. Não gosto do postinho Perseu, sempre me tratei no Ipaussurama.
Agora sou diagnosticada com esquizofrenia. Estou fazendo um livro sobre a minha história. Meu maior desejo é ele ser publicado, mas ninguém quer me ajudar a editar."

Alunas: Gabriela, Heloise, Julia e Lara

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Garçom - Histórias Importam



"Minha história começa na Bahia, morei lá quando pequeno e minha infância foi muito boa. Porém, por problemas financeiros, acabei tendo que mudar de lá e vir para Hortolândia em busca de melhores condições de vida. Aos meus 14 anos já era garçom de baladas e casas noturnas. A vida não foi muito fácil para mim, não gostava do que fazia, mas não tinha outra escolha. A única coisa que me importava era a saúde e bem-estar da minha família. Tempo a tempo fui pegando gosto pela profissão a qual gostei muito e é a minha até hoje. Me identifico com esse trabalho.
Aos meus 15 anos meu pai faleceu e foi uma fase muito difícil para mim, acabei me afastando de tudo, pois ele era meu melhor amigo e minha base. Mas acabei tendo que superar e seguir em frente, pois a vida não para! E se tem algo que meu pai me ensinou é lutar sempre pelo que sonho! E como nasci bem pobre não tinha fácil acesso a muitas coisas. Tive que lutar muito para conquistar o que tenho hoje, e agradeço todos os dias por isso. Por ter um longo tempo de vivência em boates, acabei presenciando muitas pessoas no mundo da droga, mas graças a Deus nunca me envolvi com isso. Depois de muito tempo na profissão, e tendo acesso muito fácil desde pequeno ao álcool, acabei entrando de cabeça nesse mundo e foi muito difícil de sair. Passei por muitas dificuldades.
Durante esse meio tempo estava noivo e ela acabou engravidando. Um mês antes do meu filho nascer, sofri um acidente bêbado na madrugada, aquilo para mim foi o ponto final, não era o tipo de pai, e o tipo de exemplo que queria passar para o meu filho. Desde então não coloquei mais uma gota de álcool na boca e continuo assim até hoje, me orgulho muito disso.
Acabei tendo outro filho, além de me casar. Porém, nos separamos por problemas pessoais e ela me abandonou com meus filhos para criar. Fui pai, mãe, e tudo que eles precisassem. Troquei muitas noites com os amigos, para passar com meus filhos, cuidando e amando eles, enquanto minha esposa sempre se manteve distante. Criei os dois com todo o amor e dedicação que alguém poderia ter, faria isso quantas vezes fosse preciso. Isso impressionava algumas pessoas. Às vezes a situação se inverte não é mesmo? O pai que fica com as crianças!
Hoje em dia os dois já são grandes e continuamos os melhores amigos desse mundo. Continuo trabalhando como garçom, e não pretendo parar! Amo minha profissão e estou muito feliz com minha vida atual."

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Jacque, Projeto Guri - Histórias Importam!




Meu nome é Jacqueline, mas todos me chamam de Jacque. Nasci em São Paulo, atualmente trabalho como diretora em um polo do Projeto Guri e sempre amei a arte.
Música sempre fez parte da minha vida, meu pai me incentivava levando-me em orquestras, estimulando a leitura e ao aprendizado de diversas coisas.
Quando tive oportunidade de entrar em contato com o Projeto Guri fiquei maravilhada, pois nele encontrei tudo que acreditava e apoiava, encontrei uma família nova, aqui estamos todos juntos, sem diferenças sociais, étnicas ou religiosas.
A partir do Projeto trabalhei na Fundação Casa, o que abriu meus horizontes porque pude ver como a música transforma as crianças e faz a diferença na vida delas.
Então quando me tornei diretora de um polo do Projeto Guri senti que a minha missão de espalhar arte está sendo cumprida. E a cada vez que escuto eles tocando, sinto que apesar de serem eles se apresentando, é como se um pedacinho meu estivesse lá.
Quando seguimos a nossa direção o caminho se abre para a gente.”

Alunas: Fernanda, Flávia e Letícia

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