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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Entrevista com Zygmunt Bauman - A esperança.

 Zygmunt Bauman completou  90 anos em 2015. No dia 19 de novembro, o sociólogo polonês que se mudou para o Reino Unido (em 1971, a Universidade de Leeds o contratou como professor, depois que ele foi impedido de lecionar na Polônia comunista por ser judeu), completou 90 primaveras e morreu com 91 anos em 9 de janeiro de 2017. E ele nunca deixa de observar a sociedade contemporânea e de denunciar os seus desvios e distorções.


A reportagem é de Lorenzo Fazzini, publicada no jornal Avvenire, 12-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesta entrevista, ele relança a sua admiração pelo Papa Francisco, revela uma paixão juvenil sua pela figura de Cristo e entrega aos jovens o bastão para construir um mundo mais justo e equitativo.

Eis a entrevista.



O seu 90º aniversário nos lembra que você é uma espécie de "século breve" encarnado: a sua vida (nascido em 1925) nos remete (quase) para aquele 1915-1989 retratado por Eric Hobsbawm. Você viveu as grandes tragédias do século XX: nazismo, Holocausto, Hiroshima, comunismo. Esses eventos fizeram você perder o otimismo pelo gênero humano?

Enquanto vivo, eu espero: essa é a máxima que eu aprendi quando criança. E também acredito, no fim deste meu "século breve", que, enquanto espero, eu vivo. Mas admito que, embora neste século conseguimos deixar para trás muitos tipos de miséria humana, muitos outros crimes e catástrofes, se não mais, e não menos, tóxicos, ameaçadores e criados pelo homem os substituíram, como as lendárias cabeças da hidra que renasciam logo depois de terem sido cortadas. Eu não nego que preferiria acabar a minha vida em um mundo menos obscuro e menos hostil para com os seres humanos em relação ao mundo em que eu vivo e, acho, morrerei.

Portanto, presumo que você não está otimista em relação ao futuro...

Apesar de ser um pessimista a curto prazo, permaneço otimista sobre o longo prazo. Quando se trata de lutar por um mundo mais luminoso e mais amigável, a frustração por aquilo que se ama e se espera não é um motivo para abandonar esse compromisso. E essa - como a vida me ensinou - permanece impotente para vencer a resignação até que nós, voluntariamente, permitamos.

A partir de um dos seus textos de referência, O mal-estar da pós-modernidade (Ed. Jorge Zahar), publicado no ano 2000, tomo uma frase que o Papa Francisco lembra continuamente: "A famigerada globalização da economia e das finanças apresenta mais um aspecto, que poderíamos definir como globalização da miséria". No mesmo livro, você denunciava que, tendo caído o Muro de Berlim, levantara-se outro, o muro do mercado. Por que a solidariedade e a justiça ainda não conseguiram minar o egoísmo e a injustiça?

O mercado consumista - conhecido por ser capaz de domesticar e instar a ganância humana - e o tipo de vida humana que ele promete, uma vida baseada na explícita ou implícita promessa de que todos os caminhos para a felicidade humana levam, no fim, para uma loja para comprar, causou o rápido crescimento da desigualdade social, multiplicando e aprofundando as divisões entre as pessoas como um específico e, talvez, inseparável, efeito colateral seu. A globalização, sob a forma assumida até aqui, significa principalmente a difusão de tais efeitos em todo o mundo. Nesse sentido, ela foi e continua sendo "globalização da miséria". A tarefa de reformá-la em uma globalização da dignidade humana, da moral e da felicidade cabe aos mais jovens.

Um recente livro seu, publicado na Itália pela editora Laterza, com o teólogo polonês Stanislaw Obirek, intitula-se Conversazioni su Dio e luomo [Conversas sobre Deus e o homem]. Hoje assistimos, em nível global, a um recrudescimento do confronto intraislâmico entre xiitas e sunitas: o nascimento do chamado Estado Islâmico é visto por muitos observadores como um sintoma dessa luta intraislâmica. De que modo o pensamento secular pode ajudar o Islã a reconciliar a religião com a modernidade?

Não está em jogo a conciliação da religião com a modernidade. Nenhuma religião que eu conheça foi ou é negligente em expor os produtos mais na moda da modernidade a serviço daquilo que ela acredita que é a única fé e para derrotar aqueles que ela considera como hereges ou pagãos. O que está em jogo aqui é algo mais: a separação da fé - herdada ou escolhida - dos direitos humanos; a relação entre Deus e o homem como uma questão de consciência pessoal; o direito universal de servir a Deus de diversos modos e o respeito mútuo por essas modalidades; o ser de Deus como um Deus da humanidade, não um Deus de tribos reciprocamente inimigas e antagonistas. Em poucas palavras: um Deus de unidade, não de divisão entre os homens; um Deus de amor, e não de ódio.

A sua recente apreciação pela figura e pelas palavras do Papa Francisco encontraram uma grande repercussão na Itália. O que você gostaria de perguntar ou do que gostaria de falar com o pontífice, se pudesse encontrá-lo pessoalmente?

O Papa Francisco não precisa das minhas perguntas. Todos os dias, ele sai com respostas para perguntas que eu ainda estou tentado articular, e com a metade do seu sucesso. Em outro diálogo com Stanislaw Obirek (On the World and Ourselves, Ed. Polity, 2015), o meu interlocutor explicou assim o sábio chamado dos apelos de Jorge Mario Bergoglio: o papa demonstra "uma certa empatia pela fragilidade e pelo pecado humanos e, ainda mais, Francisco não eleva a si mesmo acima de nós, mas está ao nosso lado". Pouco antes de setembro de 1939, ou seja, o início da Segunda Guerra Mundial, eu li o livro de Emil Ludwig, Filho do Homem. A história de um profeta.

Um relato que me impressionou muito e sobre o qual eu me lembro de ter ruminado por várias semanas, durante a minha viagem através da Polônia em chamas e ensanguentada. Ludwig, como eu salientei ao comentar a sugestão de Obirek, designava ao herói desse relato um dom que "levou pescadores, artesãos, pequenos comerciantes a encher as casas de oração para escutá-lo quando ele chegava de Nazaré. As pessoas se acotovelavam ao redor dele, porque esse nazareno não lhes trazia outra ladainha de prescrições ou de normativas, nem prometia tormentos do inferno para os desobedientes, mas anunciava a Boa Notícia: ele trazia a esperança".

O que une, portanto, esse livro lido há 70 anos e o papa atual?

O herói do relato de Ludwig trazia um novo modo de ser escutado. Eu sinto que essa é a impressão que os discursos do Papa Francisco transmitem, embora se focalizem nas raízes terrestres do mal e da miséria humana no nosso mundo.

Entrevista retirada do site Filosofia.com.br

Até a próxima!!!


domingo, 6 de setembro de 2020

Questão de Filosofia do ENEM - como responder????

FILOSOFIA

 

Tema: Arché - PRINCÍPIO ORIGINÁRIO PARA O MUNDO




Pergunta?

(Enem/2012) TEXTO I

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.


BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.: BOEHNER, P. Historia da Filosofia Crista. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que AQUI ESTÁ A PERGUNTA, VAMOS PROCURAR A TESE DE ANAXÍMENES E A TESE DE BASÍLIO.

a) eram baseadas nas ciências da natureza.
b) refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) postulavam um princípio originário para o mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.

 

 

O que eu preciso saber para responder essa pergunta???

Teses para explicar a origem do universo?

Isso mesmo, os pré-socráticos são conhecidos como filósofos cosmológicos, quer dizer que eles estudavam a origem do mundo (do universo). E Anaxímenes era um filósofo pré-socrático.

Os filósofos na idade média, filosofia medieval, também falavam sobre a origem do universo e para eles a única resposta cabível para a pergunta: De onde viemos, quem nos criou, quem criou o universo? Era Deus. Por que nesse período também chamamos esses filósofos de Filósofos Cristãos.

Quando?

Eles estão em períodos diferentes e respondem à pergunta sobre a origem do universo de forma diferente, um filósofo é pré-socrático século VI antes de Cristo. E o outro é um filósofo medieval, século IV depois de Cristo.

 

Explicação

O que a questão quer? Ela quer saber o que tem em comum entre a tese de Anaxímenes e de Basílio. Não é a letra A, pois Basílio critica os filósofos da natureza, na verdade Ciências da Natureza é somente Anaxímeses. Não é a B, pois Basílio não refuta a religião, pelo contrário ele fala sobre a religião. Não é a C, pois Anaxímenes não fala sobre mitos, e Basílio não remete a nenhuma religião antiga, não para a época dele. É a D, porque a única coisa que eles têm em comum é que eles buscam explicações para o princípio originário para o mundo, para Anaxímenes elementos da natureza, para Basílio – Deus.

 

Resposta!

A letra D

“postulavam um princípio originário para o mundo.”.

 

Gente da terra, cidadãos dos céus, é o seguinte, viram que dessa vez eu fiz algumas anotações na questão para que vocês saibam como ter técnica para responder as perguntas??? Sim? Não???

Segue o fio

1º leia a pergunta

2º procure a resposta no texto ou nos textos

3º marque a alternativa correta

Uhull! Sucesso!!!!

 

Beijos amores! Até a próxima questão...

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Estude Filosofia! - Vestibular

 

Tema: Surgimento da Filosofia – pré-socráticos

 


Pergunta?

(UEL 2004) “Mais que saber identificar a natureza das contribuições substantivas dos primeiros filósofos é fundamental perceber a guinada de atitude que representam. A proliferação de óticas que deixam de ser endossadas acriticamente, por força da tradição ou da ‘imposição religiosa’, é o que mais merece ser destacado entre as propriedades que definem a filosoficidade.”

(OLIVA, Alberto; GUERREIRO, Mario. Pré-socráticos: a invenção da filosofia.Campinas: Papirus, 2000. p. 24.)

Assinale a alternativa que apresenta a “guinada de atitude” promovida pelos primeiros filósofos.

 

a)         A aceitação acrítica das explicações tradicionais relativas aos acontecimentos naturais.

b)         A discussão crítica das ideias e posições que podem ser modificadas ou reformuladas.

c)        A busca por uma verdade única e inquestionável, que pudesse substituir a verdade imposta pela religião.

d)         A confiança na tradição e na “imposição religiosa” como fundamentos para o conhecimento.

e)       A desconfiança na capacidade da razão em virtude da “proliferação de óticas” conflitantes entre si.

 

 O que eu preciso saber para responder essa pergunta???

A Filosofia surgiu?

Sim, num mundo bem distante daqui há muito, muito tempo atrás... surgia a Filosofia... Tales não sabia, mas ele seria considerado o precursor desta maravilhosa alegria, desse amor tão lindo, deste romance que atravessa décadas, séculos e milênios...

Onde? 

Lá na Grécia Antiga... nas cidades de Mileto, Éfeso, Samos... ah que romântico, tudo tão dramático, rompe-se com os deuses, a religião começa a perder a força e passa de única e perfeita para somente uma opção... Mas não foi tão fácil assim, muitas lutas, muitas guerras, muitos neurônios trabalhando arduamente para formas novas conexões para o surgimento do...

PENSAMENTO RACIONAL.

 

Quando?

A partir do Século VI a.C

 

Por que ela surgiu?

Porque a sociedade evoluiu e ela continua evoluindo (depende do ponto de vista), mas vamos pensar que a maneira ver e entender o mundo passou por uma transformação, isso aconteceu devido algumas mudanças significativas naquela época. O surgimento do comércio, o surgimento da moeda, as mudanças na política e muitos questionamentos sobre tudo, sobre o mundo, de onde viemos, para onde vamos, o que nos sustenta...

 

Explicação

Então na pergunta acima percebemos que a explicação dada para o surgimento da filosofia é a formação de uma nova postura diante do mundo. Tal postura, distinta da mitológica, que estava assentada na fé e tradição, agora vai ter suas bases, seus fundamentos na razão e na capacidade argumentativa.

 

Resposta!

A letra B

“A discussão crítica das ideias e posições que podem ser modificadas ou reformuladas”.

 

Vem cum nóis... que vamos seguir em frente nas questões de filosofia no enem e nos vestibulares top da galáxia... por falar em galáxia, você já parou para ver a Vila Láctea??? Sim??? Não???

Para você que leu até aqui tenho uma Dica linda: Observatório de Campinas em Joaquim Egídio... noooossaaaa, segue o fio.

Esse Observatório se chama Jean Nicolini

Sente a foto??? Sentiu?



Inaugurado em 1977 como Estação Astronômica de Campinas, foi o primeiro observatório municipal do Brasil, além de ser pioneiro na oferta de ação educativa regular. Tem como missão congregar indivíduos interessados na prática da astronomia; divulgar a astronomia entre os estudantes e o público em geral; manter intercâmbio científico entre entidades congêneres; realizar pesquisas no campo da astronomia e ciências afins.

Endereço
Estrada do Capricórnio – Serra das Cabras - Distrito de Joaquim Egídio ( ver mapa de localização)
Endereço para correspondência: Av. Anchieta, nº 200 – 15º andar – Centro – CEP 13015-904

Telefone
(19) 3298.6566

 

 

Beijos amores! Até a próxima questão...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

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