Confira!!!

Confira!!!
Por aqui você é direcionado para comprar os livros preferidos
Mostrando postagens com marcador Lara Belette. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lara Belette. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

11ª parte - Salvação!?

Salvação!?

A decisão mais importante

            Cinco horas da manhã o despertador tocou no quarto da Juliana e ela já estava acordada ansiosa com a apresentação. No último ano havia se acostumado a se ajoelhar ao lado de sua cama assim que despertava para agradecer a Deus por aquele dia e pedir que o abençoasse. Com bastante ansiedade pediu as bênçãos Dele e proteção, pediu a Deus que os seus amigos pudessem ir à praça para assistir a peça e para que eles tomassem a decisão. Seu coração batia forte e acelerado, havia um misto de medo e alegria.
            No dia anterior tinha combinado com sua mãe para levá-la até a igreja, ela precisa estar lá às 6 horas. Assim que se levantou foi direto para o banheiro e às 5:30 já estava pronta, sua mãe estranhou tamanho entusiasmo da filha e como ela estava feliz, mesmo acordando as 5 horas da manhã. Elas tomaram café e Juliana mal conseguia engolir os pedaços de pão que levava a boca, d. Mirian achou tudo muito diferente, mas estava animada com a alegria da filha. Sem demorar as duas estavam no carro. Juliana estava com pressa.
            No carro a mãe de Juliana perguntou:
            - Do que fala a peça que vocês vão apresentar?
            Sem saber direito o que falar ela responde - De Jesus.
            Há um tempo de silêncio, quando a mãe voltou a perguntar novamente.
            - Você gosta de ir a essa igreja?
            - Gosto muito mãe e, se você não ficar brava, poderia te pedir uma coisa?
            - Claro que pode.
            - Vá assistir à peça. Vai começar às 11 horas, e eu ficaria muito feliz se você, o pai e o Bruno pudessem ir. Juliana terminou de falar e estava esperando um não quando se surpreendeu com a resposta da mãe.
            - É claro que nós vamos estávamos esperando você nos convidar.
            - Sério!?
            - Eh!
            - Que legal! Foi a única coisa que conseguiu responder, pois ficou sem reação com a resposta.
            Como por impulso, ela abraçou a mãe com muita alegria e lhe deu um beijo.
            - Então até as 11.
            Saiu do carro e entrou na igreja dando um aceno de despedida para sua mãe.
            Juliana precisou chegar mais cedo na igreja para ensaiar, arrumar as roupas, fazer maquiagem e levar todos os equipamentos para a praça. E também tiveram um tempo de oração pelo evento que estavam organizando e para que as pessoas que vissem pudessem sentir o amor de Jesus por elas. Depois da oração Juliana tuitou “Estou muito feliz, Deus é maravilhoso!”








quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

10ª parte - Não perca as oportunidades

Não perca as oportunidades

Shopping

            Juliana foi a primeira a chegar ao ponto de encontro. Ficou lá uns cinco minutos e logo começou a chegar os colegas da sala. A Bruna, a Camila, o João, o Cláudio, o Jonas, a Bia, o Léo, a Janaina, o Lucas e a Ana, esta estava organizando uma comemoração no sábado à noite em uma pizzaria para o aniversário dela.
            Depois de 20 minutos esperando, todos que tinham combinado estavam ali, menos o Daniel.
- Alguém sabe do Daniel?  Perguntou a Juliana.
            O pessoal olhou para ela, não sabiam responder. Ninguém sabia dele. Tentaram ligar no seu celular, mas ninguém atendia. Então a Juliana resolveu ligar na casa dele.
- Alô! Quem fala?
- Ana Maria.
- Oi dona Ana Maria, é a Juliana, tudo bem?
- Oi, Juliana, tudo bem e você como está?
- Eu estou bem. Obrigada. Eu gostaria de saber se o Daniel está aí.
- Ele está sim, Juliana, vou chamá-lo. Ela deixa o telefone sobre a mesa na sala e vai até o quarto chamar o Daniel. Ele já tinha ouvido o telefone e quando a mãe chegou para falar que a Juliana queria falar com ele, foi pronto em dizer.
- Não quero falar com ninguém.
            Ana voltou para o telefone e disse a Juliana que o Daniel não queria conversar. Juliana perguntou se ele não iria ao Shopping e ela respondeu que não, pois ele estava de castigo.
            Juliana desligou o telefone olhou para turma e disse que o Daniel não viria, todos perguntaram o porquê, mas ela não falou nada, só disse que a mãe dele tinha atendido ao telefone e respondeu falando que o Daniel não viria ao Shopping.
            Maria olhou para Juliana e percebeu que tinha algo errado, mas não quis perguntar na frente de todo mundo. Ela ficou triste, pois viu como Daniel tinha ficado animado com esse passeio e também porque poderia conversar mais com ele. Quando estavam indo para a fila do cinema comprar ingressos Maria ouviu duas meninas da sala conversando.

- Que chato! Eu vim aqui hoje só por causa do Daniel, tinha até enviado um e-mail pra ele, pra gente conversar.
- Hum! Chato mesmo né amiga.
- Ele é um gatinho neh!
- É verdade ele é muito bonito! Eu já te falei que eu fiquei com ele na festa...

- Maria.
- Oi.
- Você não vai comprar? Pergunta Juliana.
- Vou sim, desculpa. Enquanto pegava o dinheiro para pagar a entrada ao cinema, ficou pensando na conversa, “então Daniel tinha um encontro com outra menina”, pensou. Ela não entendeu, ou melhor, entendeu sim. Todos aqueles e-mails durante a semana. Como ela não percebeu que ele era famoso entre as meninas.
            Depois de comprarem os ingressos foram para a fila que estava se formando para entrar na sala onde iria passar o filme. Enquanto esperavam Juliana começou a falar com Bruna sobre a peça de teatro que ela e os adolescentes da igreja iriam apresentar no sábado. Bruna parecia estar interessada em assistir a peça.
            - Maria, você não quer ir amanhã assistir também?
            - Oi?
            - Hoje você está longe, hein... ri Juliana.
            Maria dá risada e fala – Parece que estou mesmo, Mas o que você falou?
            - Perguntei se você não quer assistir a peça de teatro amanhã.
            - Que peça?
            - Você não me ouviu falando para o pessoal da sala?
            - Acho que não.
            - Então, vou apresentar uma peça de teatro amanhã na praça perto da rua Tavares, vai ser muito legal. Vai lá assistir.
            - Acho que eu vou, não tenho nada pra fazer amanhã. Que horas?
            - Às 11 horas da manhã. Depois nós vamos almoçar juntas.
            - Ah, gostei, eu vou sim.
            Eles começaram a entrar para a sala, entregaram os ingressos, as duas foram conversando e a Bruna estava por perto, e tão logo encontraram um lugar legal para se sentarem a Maria perguntou.
            - Você faz teatro?
            - Faço sim, e eu gosto muito. Responde Juliana toda feliz.
            - Que legal! Deve ser por isso que você é toda descontraída e descolada.
            Juliana da risada. Maria iria fazer outra pergunta, queria saber onde ela fazia teatro, mas não deu tempo, o filme iria começar. Todos se acomodaram, alguns deram gritinhos, outros riram, mas rapidamente todos estavam quietos para assistir ao filme.


            Depois do filme o destino era comer um lanche, estavam todos com muita fome. Juliana se despediu de todos, falou que estaria esperando eles no outro dia para assistirem a peça de teatro e disse que iria comer em casa.
            Maria deu um abraço nela e falou que estaria lá para assistir a encenação. Depois que Juliana foi embora Maria conseguiu conversar com quase todos, foi um momento gostoso, ela soube um pouquinho da vida de cada um e falou sobre ela também. Todos ficaram entusiasmados quando ela falou que estava planejando uma viagem.
            E ela contava com brilho nos olhos, os detalhes, por onde gostaria de passar, o que gostaria de fazer em cada lugar. Falou do acordo com seu pai sobre passar no vestibular e que já conhecia várias pessoas nos lugares aonde queria ir, ela disse que  conversava com o pessoal da “Europa” pelo skype, MSN, e-mail e muitos ela havia adicionado no Twitter. Nesse momento trocaram link do facebook, twitter, e-mail e MSN. Toda aquela galera escrevendo sem parar nos celulares as informações que estavam recebendo e logo a Bruna viu que o Daniel havia tuitado e pelo jeito ele não estava legal.
            Depois do lanche alguns casais se formaram e foram dar um passeio pelo shopping, e ficaram na mesa conversando a Maria, o Jonas, a Bia, o Léo e a Janaina. Ela descobriu que o Jonas ama tocar bateria, que a Bia adora falar e falar e falar e parece que a história dela não tem fim; a Janaína era mais quieta, mas muito amável e as duas conversaram bastante, pois a Janaína também tinha um sonho ela queria ser cantora, ela tocava violão, teclado, e tinha uma voz linda, deu até uma amostra para a galera que estava na mesa.
            Descobriu, também, algumas coisas sobre o Léo, ela o achou muito bonito e simpático, porém não gostava de falar sobre si mesmo, ele conseguia conversar sobre tudo, conversou com a Maria sobre a viagem, os lugares que ela queria conhecer, se entendeu muito bem com a Janaína e deu dicas de músicas e músicos para ela ouvir. E ficou por muito tempo ouvindo as histórias da Bia até tentou manter um diálogo, mas foi em vão.
            O que Maria achou estranho foi que apesar da longa conversa com o Léo, não ficou sabendo sobre nada, ele não contou nada sobre a vida dele. Onde mora, o que faz, do que gosta. Mas achou ele legal!
           



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

9ª parte - A intenção do coração deve ser correta

A intenção do coração deve ser correta

Pedido de desculpa?
           
            A primeira semana de aula da Maria na nova escola caminhou bem. Juliana manteve a rotina: computador, estudos, irmão mais novo e TV. Daniel continuava de castigo, algumas brigas, estudo e mandando e-mail para Maria. E ela estudando e sonhando com a viagem. E precisava estudar muito, pois chegou na escola bem na semana de provas, no final do primeiro bimestre, estava bem perdida, mas Juliana a ajudou muito.
            Na sexta-feira o clima na escola estava descontraído, nenhuma prova e os alunos estavam combinando de ir ao Shopping, tomar um lanche ou dar uma volta, ou assistir um filme. Todos estavam bem empolgados, até convidaram alguns professores para saírem juntos.
            Daniel era o mais animado para sair na sexta-feira à noite, mas sabia que teria que enfrentar o Pai para sair do castigo, ele iria apelar para a mãe, era uma saída. Ele queria ficar o tempo necessário para se divertir e é claro, conversar com a aluna nova.              Já a Juliana não poderia voltar tarde pra casa, pois no sábado de manhã tinha um compromisso com alguns amigos da igreja, eles iriam apresentar uma peça de teatro na praça. Ela convidou a turma toda para assistir, uns falaram que tinham outra programação, outros disseram que não sabiam se iriam e outros confirmaram presença.
            Maria estava alegre, pois essa seria a oportunidade de conhecer os colegas da classe fora da escola, ela poderia fazer novas amizades e se enturmar mais com a galera da sala de aula. Combinaram às sete horas na entrada principal do shopping.
Na frente da escola tinha algumas meninas combinando o que iriam usar, outras falando sobre os paqueras atuais e outros tentando arrumar carona para irem e voltarem do shopping, pois sem carona não teria negociação com os pais.
            É claro, sempre tem aqueles que não podem por diversos motivos, “ minha mãe não deixa” , “ não posso, tenho que estudar”, “estou sem grana” e assim vai. Mas parecia que dessa vez todos estavam bem empolgados e vamos dizer que 90% dos alunos do 2º ano do colégio Estudar estariam no shopping.
            Para Daniel essa seria a chance dele conversar com Maria, para Juliana uma ótima oportunidade de se aproximar de alguns e falar sobre seu maior tesouro, para Maria o lugar certo para fazer novas amizades.
            Esses três tinham motivos para sair sexta-feira à noite.
            Daniel foi para casa  e em todo o caminho veio pensando como falaria com o pai, almoçou primeiro e depois arriscou uma conversa. Além do shopping sexta, no sábado iria ter o aniversário da Ana e o pessoal iria aproveitar para comemorar. A situação não era nada boa para ele, mas tinha que arriscar. Então foi conversar com o pai na esperança de conseguir uma concessão ao castigo.
- Pai. Chamou-o meio desconfiado, até porque tinha ficado a semana toda sem conversar diretamente com ele, as poucas palavras que trocaram foram tudo bem, oi e mais nada.

 - Fala Daniel. O pai estranhou a aproximação do filho e esperou para saber o que ele queria.

- É... é que... Daniel não sabia como começar, estava com medo.

- Fala logo Daniel. Respondendo de forma irritada.
A mãe do Daniel, Ana Maria, estava na cozinha preparando um lanche para a família  e ouvindo a conversa do filho com o pai.
- É que eu queria pedir desculpas por aquele dia, da maneira como eu falei com você e tudo mais, eu estava pensando em outra coisa, me alterei um pouco. Falou meio sem graça, até porque ele sabia que iria pedir outra coisa em seguida e não sabia como o pai iria reagir ao pedido de desculpa, depois que soubesse que ele queria sair à noite.

- Está perdoado. Houve uma pequena pausa. Daniel ficou feliz, já estava quase saindo quando o pai começou  falar novamente.
- Mas está na hora de mudar algumas coisas em casa. Daniel olhou para o pai, pensando o que deveria mudar e até sentou na poltrona perto da cadeira dele.
Ana Maria saiu da cozinha enxugando as mãos em um guardanapo de pano e foi ouvir as mudanças que seriam propostas pelo Miguel.
- É o seguinte Daniel, a partir da próxima semana você vai ajudar na igreja, vai ajudar a concertar as coisas por lá, fazer serviço de banco, limpar e outras coisas que aparecerem por lá, você já vai fazer 17 anos e já está na hora de ter mais responsabilidades. Ele falava olhando para os papéis que estavam sobre a mesa.

- Mas, eu tenho que estudar pai. Contestou e ao mesmo tempo olhou para a mãe que estava em pé sem dizer uma palavra.

- Você vai trabalhar três vezes por semana e 3 horas por dia, não vai atrapalhar os seus estudos e dessa forma vou começar a te dar uma mesada. Pr. Miguel estava tranqüilo e já tinha planejado isso com a esposa que aprovou a idéia.

- Mesada! Isso animou ao Daniel, pois sempre que precisa de dinheiro tinha que pedir ao pai e a conversa era longa.
            Fez-se dois minutos de silêncio, até que o pai falou - Concorda? Daniel pensou o que poderia responder, ele queria muito sair à noite e sabia que se estragasse alguma coisa seus planos iriam desabar e respondeu.
- Tudo bem, eu aceito. Como se estivesse resolvendo a sua vida naquele momento.
- Que bom, começa na segunda-feira. Afirmou o pai que continuou olhando para os papeis.
            Daniel continuou sentando na poltrona ao lado do pai, por mais dois minutos, até que o pai se virou e perguntou:

- Tudo bem? Quer falar mais alguma coisa?

- Não, quero dizer, quero. É que todos da sala vão ao shopping hoje...

            O pai começou a entender o pedido de desculpas...
- E eu queria saber, se é possível, assim, se não tiver problemas, de sair do castigo e ir lá hoje?
            O pai ficou olhando para o Daniel e muito decepcionado, tirou os óculos, olhou bem para o filho, abaixou a cabeça, inspirou o ar profundamente, depois se levantou, foi até a cozinha, passou pela esposa, olhou para ela incrédulo e pegou um pouco de água, voltou e olhou para o filho que estava ansioso por uma resposta.

- Por alguns minutos eu fiquei orgulhoso de você, pensei que estava fazendo a coisa certa, mas não...

- Não, pai eu...

- Não me interrompa, só escute... O Senhor Miguel falou baixo e devagar e seu rosto ficou vermelho.
            Daniel percebeu que havia estragado tudo, ele ficou pensando na turma, no cinema, no lanche e na Maria. Tinha prometido para todos que iria, até tirou sarro daqueles que falaram que não iriam porque os pais não deixariam e agora não iria pelo mesmo motivo.

- ... você está de castigo Daniel, e você não escutou nada do que eu falei. O pai suspirou e falou uma última frase.

- Espero que você aprenda que pedir perdão não é pedir favor, é um arrependimento genuíno, verdadeiro e não somente para conseguir algo em troca. Terminou, e não falou mais nada, ficou olhando para o Daniel esperando alguma reação.

            Daniel se levantou olhou para o pai com raiva, depois para a mãe que ao se calar estava concordando com tudo e sem dizer nada foi para o quarto, bateu a porta o mais forte que podia e ficou lá, mudo, até sua mãe chegar. Depois de meia hora a mãe de Daniel foi até o quarto para conversar com ele.
            - Daniel. A mãe o chamou.
- Oi mãe. Abrindo a porta para ela entrar.
Ela entrou, deu uma olhada no quarto. – Precisamos arrumar essa bagunça, Daniel.
- Mãe, a senhora não veio aqui para falar da minha bagunça!
- Também. Não estou falando somente da bagunça do seu quarto Daniel, mas da bagunça da sua vida. O que está acontecendo? Você está brincando com Deus, com seu pai. Estou ficando...
- Mãe, chega! Se quiser me ouvir e me ajudar, tudo bem. Agora, se você veio para me aplicar um bonito sermão, sobre Deus, e etc. Não quero ouvir. Já tenho os meus problemas que são muitos. E pelo o que percebi você já sabia do plano do papai, pois se não soubesse teria falado alguma coisa na sala.
- Muitos problemas... ela balançou a cabeça, ela sabia que era hora de deixá-lo sozinho e saiu do quarto.
            Daniel ficou muito mal, nunca tinha falado assim com sua mãe, sabia que ela era uma pessoa sensata que sempre ouvia suas reclamações, mas dessa vez ela estava do lado do pai. Na verdade Daniel não conseguia ver os erros sucessivos que vinha cometendo ultimamente, ele se defendia o tempo todo e queria alguém do lado dele para apoiá-los nas decisões.
            No quarto ele ficou um tempão ouvindo música pelo MP3, depois foi para frente do computador, havia vários e-mails falando do passeio ao shopping, mas ele não queria ler nenhum deles. A única coisa que conseguiu escrever foi um twitter: que droga de vida.
Durante a semana tinha conversado bastante com a Maria por e-mail, ele falou sobre os colegas de classe, ela disse como era a escola onde estudava, ele contou sobre seus pais, mas omitiu a informação de que ele era pastor e ela contou sobre sua família.
            Uma das informações sobre a família de Daniel deixou Maria muito interessada, a irmã de Daniel estava nos Estados Unidos, estudando. Mas como esperado, não disse o que ela estava estudando.
            A irmã de Daniel, Mariana, estava estudando teologia, ela tinha aulas de dança, música e estudava muito a bíblia. Daniel sabia que a irmã tinha um dom para as artes. O irmão de Daniel era casado e então falou pouco sobre ele para Maria.

            Depois da desastrosa conversa com seu pai, e de conseguir ver os e-mails, percebeu que tinha recebido um e-mail da Maria e de mais 5 meninas que queriam conversar com ele e estavam perguntando se poderiam ter um tempo de bate-papo no shopping. Mas ele não respondeu nenhum.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

8ª parte - Estamos correndo atrás do vento

Estamos correndo atrás do vento

Maria

            Uma sonhadora! Essa palavra define a aluna nova da escola. Os pais a matricularam nessa nova escola, pois queriam que a filha estudasse mais e acreditavam que ali, na escola Estudar, o ensino era mais “forte”. Maria aceitou a ideia, pois um dos seus sonhos era realizar uma grande viagem pela Europa e seu pai deixou claro que ela só viajaria se passasse no vestibular. Ela chegou a contestar o pai, mas num tom baixo, sem coragem de olhá-lo nos olhos, até chegou a pensar “para que passar no vestibular se eu vou viajar?” Mas, é claro não disse isso ao seu pai, ela não teria coragem. Então ela concordou em estudar para passar no vestibular.
            O pai só aceitou o acordo, pois pensava que se Maria passasse no vestibular iria desistir da viagem. Só que ela estava decidida em viajar e dessa vez a teoria do Seu Jorge estava errada.
            Além de sonhadora, Maria também era determinada e não desistia dos seus sonhos e metas facilmente. Não era tão organizada com suas coisas, algo que deixava sua mãe muito brava e a sua desorganização era o único motivo de briga entre elas.
            Sua mãe chegou até a falar para ela no meio de uma discussão: “como você vai conseguir sobreviver em outro país sozinha no meio de tanta desorganização, com certeza você terá problemas”. Maria sabia que a mãe tinha razão e ela precisava melhorar, mas odiava quando a mãe falava com ela assim.
            Sua rotina era acordar de manhã para ir à escola, almoçar, estudar 3 horas por dia, passar uma ou duas horas sonhando com a viagem, vendo sites, hotéis, lugares para visitar, pessoas que moram lá para conversar e planejar todo o roteiro, ela já tinha feito isso umas 100 vezes sem exagero, mas continuava pensando em novas alternativas e lugares. A noite sempre revisava a matéria do dia e tentava ir mais longe para estar a frente dos outros e se sobressair. Uma verdadeira “Nerd”.
            O primeiro dia de aula na escola “Estudar” fez mudar um pouco o ritmo das coisas, estava atrasada com a matéria de biologia, conhecer o Daniel fez com que ela parasse de pensar tanto na viagem e começou a pensar nele. Ela não queria ficar pensando no Daniel, não queria perder o foco das coisas que estava determinada em fazer, mas, às vezes, de vez em quando, assim como quem não quer nada estava ela olhando para o nada e pensando no sorriso, nos olhos... “para com isso Maria, você precisa estudar e planejar sua viagem”, dizia para si mesma se concentrando outra vez.
            A mãe de Maria, D. Miriam, trabalhava o dia todo fora, o pai também, Sr. Jorge Linhares, segundo a avaliação da família ela era uma menina responsável e por isso desde os 12 anos ficava sozinha em casa e nunca aprontou nada que pudesse perder a confiança dos pais, ta certo que ela já havia quebrado alguns copos, sujado a parede de tinta e até chegou a manchar o sofá, porém nada que fizessem seus pais ficarem muito preocupados.
            Ela se considerava adulta, esperta e até inteligente em algumas matérias, amava música, essas músicas que todos os adolescentes gostam, nada fora do normal. Ligava-se em moda e eletrônicos estava sempre conectada no twitter, lendo as novidades dos cantores preferidos e dos amigos era cuidadosa em postar mensagens, e esse cuidado vinha dos conselhos insistentes da sua mãe em relação à internet. Muita coisa ela sonhava em ter, outras os seus pais compravam para presentear a filha dedicada e por muitas vezes, mimada.
            Os sonhos dessa garota de 17 anos eram grandiosos, altruísta desde pequena, ela queria ir à África, trabalhar em um orfanato, sempre se ligou em trabalhos voluntários, além disso, gostava de ler e escrevia algumas coisas, mas nunca teve coragem de mostrar a alguém.
            Naquele dia, o primeiro dia de aula, quando chegou a casa, largou suas coisas em cima da cama e foi se trocar, tirou o uniforme, jogou-o sobre a cadeira próxima a mesa do computador, jogou os tênis debaixo da cama e o relógio na mesa.
            “Vou escrever para a Juliana, começar a fazer amigos neh!” falou para si mesma enquanto ligava o computador. Abriu a caixa de e-mail, olhou para saber se tinha uma mensagem nova, mas nada. “Nossa, ninguém me escreveu da outra escola”, fez um bico, franziu a testa e se levantou para fazer algo para comer.  Indo em direção a cozinha ela pegou o seu celular e tuitou uma mensagem: Primeiro dia de aula na escola #estudar. Conheci uma amiga a Juliana.
            Na cozinha tinha a comida que a mãe havia feito no jantar, esquentou, pegou um pouco de suco na geladeira e foi comer em frente ao computador. Comia, e escrevia um e-mail para a Juliana.
            “Oi Juliana, Tudo bem?
Gostei de te conhecer hoje, fez toda a diferença. Ser aluna nova não é fácil.
Obrigada pela atenção.
Eu gostaria, se você tiver é claro, do e-mail e do MSN do Daniel. Achei ele legal.
Abraço,
Maria”

            Assim que terminou de comer e escrever, já foi se concentrar nos estudos, já tinha trabalho pra fazer, coisas novas para estudar e ainda tinha que correr atrás do prejuízo até porque o pessoal do colégio “Estudar” estava bem mais adiantado do que ela.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

7ª parte - Descobrindo o porquê das coisas

Descobrindo o porquê das coisas

E-mail

            “Oi, Juliana. Tudo bem?
Recebi seu e-mail e fiquei feliz em saber que está estudando a bíblia e que tem dúvidas, isso significa que está aprendendo. Bom, diminuir na nossa cultura não é algo muito bom, até porque todos nos ensinam a sermos pessoas de sucesso, temos que nos destacar e isso significa crescer. Mas o que as pessoas não entendem é que diminuir para Jesus crescer em nós é como se eu falasse, ‘Jesus se destaque por meio da minha vida e que você receba a glória’, pois a graça de Deus cresce e o poder humano diminui, quantas vezes nos pegamos fazendo coisas que não queríamos, não é verdade?
 Quando quero diminuir estou falando que não quero viver de forma egoísta, mas que dependo de Jesus, que não quero fazer as coisas segundo a minha vontade, mas segundo a vontade dEle.
Você poderia parafrasear essa mensagem: Jesus que as pessoas percebam que tu és aquele que me ajuda em tudo, que sozinha não conseguiria, mas quando você aparece em mim e eu me escondo isso é bom, pois as pessoas vão conhecer o teu amor.
Leia também o salmo 51 Ju, ele mostra como Davi dependia do Senhor para todas as coisas, e Davi sabia que sozinho ele só fazia coisas erradas.
Peça para o Senhor te ajudar a entender a palavra e ser alguém que deixa Jesus crescer em você.
Acho que respondi suas três perguntas, qualquer dúvida me mande um e-mail.

Beijos,

Pâmela.”

            Juliana leu o e-mail da Pâmela e voltou a ler toda a passagem onde estava escrito “É necessário que ele cresça e que eu diminua” e pôde perceber na história, um homem chamado João Batista e era quem falava essas coisas.
Então ela entendeu que João explicava ao povo que ele não era importante, mas estava falando de alguém muito importante: Jesus.
            Depois foi ler o salmo 51, como Pâmela havia indicado no e-mail. Ela se surpreendeu em ler a declaração de Davi, suplicando pelo perdão de Deus e também declarando que necessitava Dele para viver e ser perdoado. Esse amor por Deus era algo novo para Juliana, ela gostava de ver as pessoas declarando sua fé sem medo e de verem como ficavam felizes quando estavam orando ou louvando.
            Todos os dias ela aprendia algo novo e tudo era extraordinário, recebia as novidades com intensa alegria e com um desejo de compartilhar essa alegria com sua família e seus amigos. Com os amigos ela tinha mais liberdade de falar da transformação que estava acontecendo na vida dela, mas com os pais ela ainda tinha medo.
            O medo de Juliana era de ser repreendida pelos pais, de que eles não a deixassem ir à igreja ou estar com os amigos “Cristãos”. Então, o medo a calava e ela não contava a eles toda a alegria que estava sentindo e as mudanças pelas quais estava passando.
            Mas enquanto Juliana ficava quieta com medo, seus pais conversavam sempre comentando as mudanças na vida dela, no comportamento, nos estudos, e como esse novo comportamento deixava eles felizes. A mãe de Juliana, D. Miriam, por várias vezes tentou falar isso para a filha o quanto eles estavam felizes em ver como ela tinha mudado. E eles queriam conhecer o lugar onde sua filha estava indo todos os finais de semana e que a deixava tão feliz.
            Porém, estavam esperando um convite dela.
            Juliana acabou de ler o salmo 51 e respondeu o e-mail da Pâmela:

“Obrigada Pam.
Com certeza logo, logo estarei enviando outras perguntas.
Beijos,
Ju”

            E, antes de desligar o computador passou pelo facebook, escreveu a frase que tinha chamado a atenção dela no status e voltou para atualizar o e-mail e viu que recebeu mais uma mensagem, pensou que fosse da Pâmela, mas era da Maria. Elas tinham trocado e-mails na escola para conversarem um pouco mais e para a Juliana ajudá-la nos estudos, pois a Maria ficou perdida na aula de biologia.
            O e-mail dizia que a Maria tinha ficado muito feliz de conhecê-la e isso a ajudou a se enturmar com o pessoal, ela agradecia e no final pediu o MSN do Daniel. “Daniel! Não acredito que a Maria gostou dele? Ele é até um bom amigo, mas se acha, coitada!” Leu o pedido espantada, não acreditava como uma menina tão legal e inteligente pudesse gostar do Daniel. Mas resolveu responder e passar para a nova amiga o endereço do MSN dele. Para Juliana, Maria perdeu alguns pontos. Será que ela era mais uma daquelas meninas que não pode ver um garoto bonito que já sai correndo atrás? Isso a deixou preocupada.

            Respondeu o e-mail para Maria e mandou o seu link para o facebook e o twitter, assim elas poderiam estar conectadas o tempo todo e saberem das novidades em tempo real.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um Encontro importante - 5a parte

Nada é por acaso

2 anos antes...
Um encontro importante!

            O céu azul com nuvens brancas e um sol espetacular no mês de fevereiro, Juliana tinha acabado de chegar em casa. Colocou sua bolsa no móvel de costume, ligou o computador e foi beber um pouco de água, não tinha ninguém em casa e ela ficou feliz por isso, assim poderia ler sem ser perturbada, procurou algo na geladeira, encontrou um yogurte, pegou. Tomou. Depois abriu as portas do armário e encontrou um pacote de bolacha, agarrou-o foi para frente do computador. Enquanto comia deu alguns cliques e abaixou os e-mails, não tinha nada de interessante. Então foi direto para o facebook, algumas atualizações, umas curtidas e nada demais.
            - Minha mãe precisa me dar um telefone com 3G, todo mundo vê as atualizações  na hora, só eu preciso esperar para chegar em casa.
            Afastou o teclado e pegou o seu livro e um caderno, onde fazia as anotações e também registrava alguns acontecimentos diários e escrevia alguns estudos nele, era um devocional-diário. Lá ela escrevia como foi o seu dia e também alguns estudos bíblicos.

Naquele dia ela leu em seu livro:
“Depois disso, Jesus e os seus discípulos foram para a região da Judéia. Ele ficou algum tempo com eles ali e batizava as pessoas. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque lá havia muita água. (João ainda não tinha sido preso.) Alguns discípulos de João tiveram uma discussão com um judeu sobre a cerimônia de purificação.  Eles foram dizer a João: —Mestre, aquele homem que estava com o senhor no outro lado do rio Jordão está batizando as pessoas. O senhor falou sobre ele, lembra? E todos estão indo atrás dele.  João respondeu: —Ninguém pode ter alguma coisa se ela não for dada por Deus.  Vocês são testemunhas de que eu disse: “Eu não sou o Messias, mas fui enviado adiante dele.”  Num casamento, o noivo é aquele a quem a noiva pertence. O amigo do noivo está ali, e o escuta, e se alegra quando ouve a voz dele. Assim também o que está acontecendo com Jesus me faz ficar completamente alegre. Ele tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante. Aquele que vem de cima é o mais importante de todos, e quem vem da terra é da terra e fala das coisas terrenas. Quem vem do céu é o mais importante de todos. Ele fala daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita a sua mensagem. Quem aceita a sua mensagem dá prova de que o que Deus diz é verdade.”
            Ela parou, olhou para a tela do computador, depois voltou a ler novamente. “Ele tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante”. - Por quê? Ela perguntou para si mesma. Esse trecho ficou martelando em sua cabeça. Tinha algo que ela precisava saber, ou algo que essa frase queria falar com ela.
            Juliana Pereira Lima conheceu um grupo de amigos, no ano passado, na escola onde estuda e esse grupo costumava se reunir nos intervalos para estudarem a bíblia, ela achou engraçado vários jovens estarem juntos para estudar um livro e ainda mais a bíblia. Mas resolveu conferir esse feito extraordinário que eles chamavam de Devocional. Juliana gostou do grupo, dos estudos e acabou ficando por lá e se interessando pelas atividades dessa turma. E por isso ela lia a bíblia quase todos os dias. Depois de um tempo que ela começou a participar das atividades desse grupo de amigos, ela começou a frequentar uma igreja e muitas coisas mudaram na vida dela. Começou a perceber as pessoas e o mundo de uma forma diferente. Na opinião da própria Juliana, ela se tornou uma pessoa melhor.

            Juliana estava pensando, por que Ele tem que ficar cada vez mais importante, e ela, menos importante? Qual o objetivo disso? Resolveu enviar um e-mail para a Pâmela, todas as dúvidas de Juliana eram respondidas pela Pâmela.

Oi Pâmela, tudo bem amiga?

Eu estava lendo um trecho da bíblia no evangelho de João e li algo  que me deixou com duas dúvidas. Você poderia me ajudar?
“Ele tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante”. João 3:30
Por que Jesus tem que ser mais importante, e eu, menos importante?
Qual o objetivo disso?
Por que a bíblia pede pra gente ser menos importante?
Não entendi!
Acho que foram três dúvidas... rsrsr

Um abraço,

Ju.

            Terminou de enviar o e-mail quando ouviu a porta do apartamento abrindo, ela fechou a bíblia, guardou seu caderno e mexeu na sua bolsa para procurar o caderno de física e começar a estudar para a prova.

- Oi Ju!

- Oi mãe.

- Você almoçou?

- Comi alguma coisa aí.

- Comer alguma coisa não é almoçar Juliana.

- Estou sem fome e tenho que estudar para a prova de física.

            Juliana pegou seu livro de física, abriu-o, folheou o caderno e parou na página dos exercícios e começou a olhá-los. Sua mãe parou na porta do quarto e percebeu que Juliana estava distante, com os olhos fixos no horizonte, ficou ali durante um tempo e até pensou em perguntar como a filha estava e sobre as mudanças que estavam acontecendo, mas preferiu deixar a filha estudando.
            Ela foi despertada de seu ‘transe’ quando ouviu as panelas batendo na cozinha, sua mãe estava cozinhando, nesse momento ela voltou a olhar para os exercícios e falou consigo mesma. - Não consigo aprender isso, não entra na minha cabeça.

- Você falou alguma coisa Juliana. Perguntou a mãe, gritando da cozinha.

- Nada não mãe.

            Resolveu abrir os e-mails para ver se a Pâmela havia respondido. Um e-mail estava chegando, até sentiu-se animada, queria entender o que aquela frase queria dizer. Era um e-mail sobre uma promoção do Submarino. Ela olhou, suas sobrancelhas se levantaram, entortou a boca para o lado esquerdo se decepcionando. Resolveu dar mais uma olhada no facebook, acabou ficando por lá mais do que o normal e então se lembrou da prova e voltou para o caderno de física e a apostila.
            Lá fora o dia estava radiante, uma brisa tocava a copa das árvores, o sol parecia cantar de alegria. Ouvia-se de longe barulho de carros, motos e, algo chamava a Juliana para estar à janela e contemplar tudo o que estava ao seu alcance.
            Ela se levantou, foi em direção ao corredor da casa. Queria falar com sua mãe sobre tudo o que tinha vivido e estava vivendo nesses últimos 6 meses. Foram tantas mudanças, transformações. Ela estava no meio de um turbilhão de acontecimentos e idéias que fervilhavam em sua cabeça. Uma nova forma de ver o mundo, de ver as pessoas, parecia que antes ela olhava e agora ela via, via o que realmente estava acontecendo. Mas Juliana parou na porta do quarto, olhou ao longo do corredor, ouviu o tilintar das panelas. Abaixou a cabeça. Orou. – Deus, me ajuda!
            Não conseguiu prosseguir e voltou para os seus cadernos e apostilas e física. Prova!

- Outro dia eu falo com ela. Pensou.

            Juliana acordou sonolenta, esfregou os olhos, parou por um instante e se lembrou que era terça-feira e tinha prova de física, se levantou foi ao banheiro lavou o rosto. Escovou os dentes. Tomou banho. Sua mãe já estava de pé esperando para tomar café da manhã. Sentou a mesa falou bom dia para a mãe, perguntou do pai, ela disse que ele já tinha saído, pois precisava fazer uma viagem.
            O irmão dela estava ao lado, mas como sempre fazia, fingiu que não o viu, mas era quase impossível não notar sua presença, pois já estava colocando farelo de pão dentro do café dela, ela esbravejava, toda vez que o irmão de alguma forma a irritava.

- Sai pra lá moleque, você não tem jeito! Empurrando o irmão para o seu lugar. Ele se sentou dando risada e tomando seu café.

- Parem de brigar, tomem esse café logo, pois precisamos ir. A Mãe sempre intervinha tentando acalmar a situação, claro que da maneira dela, gritando também.
            O Café acabou, todos para o carro, a mãe de Juliana sempre atrasada, era uma correria e gritaria todas as manhãs. Juliana já estava ficando cansada, queria que isso mudasse, só não sabia como. O primeiro a ficar na escola era o irmão, Bruno, depois a Juliana. Sempre dava um beijo na mãe de despedida.

            Juliana já estava sentada em sua carteira, preocupada com a prova e esperando a chegada do professor, ela estava distraída, quando uma menina que chega tímida, sem graça, tropeça e derruba todo o material sobre ela.

Esse foi um encontro importante!

- Esta tudo bem? Perguntou Juliana preocupada.
- Estou. Meio sem jeito ela responde.

            Ela pegou seus livros e cadernos e foi para uma carteira que estava vazia na mesma fileira que Juliana. Alguns alunos que estavam próximos ficaram curiosos em saber quem era a nova aluna e perguntaram o seu nome.

- Maria

            Outros só olharam: uns com desprezo, porque acharam a menina muito patricinha; outros com indiferença, do tipo tanto faz quanto fez quem ela é, tenho mais o que fazer; alguns meninos a acharam super gatinha; e um dos meninos a olhou de um jeito especial, mas nem deu bandeira. Depois que Maria conseguiu se organizar na carteira, Juliana foi até a nova colega de classe e fez uma bateria de perguntas:
            - Da onde você veio? Onde você mora? O que gosta de fazer? Você gosta de biologia? Onde você comprou esse brinco? E várias outras perguntas. Nem preciso falar que Maria gostou de Juliana e foi sua primeira amiga no colégio.

            Depois da aula, Juliana parou um instante no portão do colégio observando todo o caos que se instalava na saída: os pais chegando, Ulisses chamando os alunos pelo nome no microfone, professores que saem conversando sorrindo, outros com pressa esbarrando nas pessoas sem cumprimentar ninguém. Alunos entrando, alunos em rodinhas conversando, rindo alto. Carros indo e vindo, parando, saindo. Olhou para o céu e viu um azul encantador, cheio de vida, não havia nuvens no céu, conseguiu até voar e olhar tudo lá de cima. Como seria?

            - Juliana! Daniel a chama, percebendo que ela não estava com os  pés em terra. Ela  olhou ao redor e viu toda bagunça chegou a fechar os olhos.

            - Ju! Chama novamente o Daniel e agora ficou até preocupado.

            - Oi Dani. Respondeu irritada.
            - Ta viajando hein!
             - Um pouco. O que foi? Ela responde dando um sorriso.

            - Então. Apresenta-me sua nova amiga. Falou com um pequeno sorriso no rosto, desviando o olhar por cima do ombro de Juliana e encontrando Maria.

            Maria tinha pela branca, os olhos verdes e cabelos negros, ao contrário de todas as meninas seu cabelo tinha lindos cachos, naturais. Ela media 1,60 seu rosto era delicado, mas o olhar era forte e determinado, quando falava suas mãos acompanhavam, tinha uma linguagem corporal que expressava rapidamente seus sentimentos, suas angústias e desejos. Maria não sabia desses atributos e muitas vezes se acuava diante de pessoas autoritárias. Ela nem percebeu que Daniel olhava para ela e acompanhava cada movimento.

            - Vamos lá Dani. Vou apresentá-la a você. Juliana o puxou pelo braço.
             - Ola meninas! Maria, esse é meu amigo Daniel. Ele está na nossa sala.

            - Oi. Trocaram um beijinho no rosto e ficaram um olhando para o outro, como quem pergunta, E aí?

            - Bom, turma. Preciso ir, minha perua acabou de chegar. Tchau Maria. Tchau Dani. Olhando para ele e dando uma risadinha, puxando só um lado dos lábios e levantando as sobrancelhas. Tchau meninas.
            Todos falaram tchau e Daniel teve vontade de correr atrás da Juliana e falar pra ela que não deveria ter feito aquilo, olhou para as meninas deu um sorriso sem graça.
            - To indo também. Olhou para elas, para Maria, e foi embora.
            - Tchau Dani. Maria foi a única que respondeu e ficou olhando pra ele enquanto se afastava tropeçando em todo mundo.

            Daniel chegou a uma roda de amigos, entrou na brincadeira dos colegas e conseguiu disfarçar. Era o que ele pensava!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Com a mãe - 4a parte

“Os planos foram sempre os mesmos, nós não percebemos”

Com a mãe

- Mirian, telefone da escola pra você.

- Ok. Pode passar. Miriam recebe a ligação sem se preocupar, pois sua filha, a Maria é uma excelente aluna.

- Senhora Miriam, aqui é a coordenadora Laura, tudo bem? A coordenadora Laura Bertassoli sempre foi muito preocupada com os alunos e tinha um relacionamento com os pais que era exemplar. Era atenciosa, firme e sabia ouvir as queixas ou simplesmente os desabafos das famílias.

- Estou sim, e o vazamento? Respondeu Miriam Valverde sem se preocupar com a ligação.

- Vazamento? Laura não entendeu muito bem a pergunta.

- É, o vazamento na frente do colégio, tive que emitir uma ordem para irem alguns técnicos para ver o que estava acontecendo.

- Sim, o vazamento, é para falar sobre ele que te liguei, bem não exatamente, é sua filha, ela caiu no buraco que o vazamento fez na frente da escola e agora foi levada para o hospital, parece que quebrou o pé. A coordenadora tenta falar de forma calma para não deixar Miriam muito preocupada.

- Nossa! Qual hospital que a levaram?

- Para o Samaritano.

- Obrigada. Desligou o telefone olhou por volta, ligou para seu chefe e disse que precisava sair, pois sua filha estava no hospital.
            Miriam se levantou, pegou sua bolsa, mas esqueceu o celular em cima da mesa perto do computador. Saiu correndo, avisou a recepcionista que precisava ir embora e saiu para o estacionamento, mal conseguia se lembrar de onde deixou o carro, parou um instante, colocou a mão na cabeça, sentiu uma pontada fina  e preocupante de dor de cabeça, encontrou o carro e saiu andando o mais rápido que pode. Pela estrada vinha pensado, como estaria a Maria, quem estava com ela, e a viagem?






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"Técnico"; "Na escola" 3a parte

“Não pergunte ‘por que’, pergunte ‘para quê’”.
Técnico

- Alô?
- Por favor, poderiam enviar um técnico para a Escola Estudar no Bairro Primavera, estamos com um vazamento na porta do Colégio.
- Ok, estou mandando.
- Precisamos enviar um técnico para a Escola Estudar. Ricardo desliga o telefone e olha para a tela do computador preocupado.
- Por quê? Pergunta Clara sem se virar para o lado, ocupada com o seu trabalho.
- O diretor acabou de ligar falando que tem um vazamento lá. E você viu esse e-mail que acabou de chegar?
- Faça uma chamada e pede para o Paulo ir até o local. Precisamos mandar alguém pra lá urgente! Aquele diretor fica “super bravo” quando os técnicos demoram pra chegar. E, que e-mail? Eu não vi nada. Vou entrar aqui no meu pra ver. Quem mandou?
- Miriam, mande alguns técnicos para o Bairro Primavera, na Rua Uruguaiana na altura do número 1250. Falou apressadamente e com um tom de urgência.
- Ixi, é a escola da minha filha. O que aconteceu? Ficando preocupada.
- Um vazamento. E parece ser sério!
- Esta bem, já estou emitindo uma ordem. Ela o faz apressadamente, ela conhece o dono do colégio e já começou a imaginar como ele deve estar preocupado com toda situação. Pensou – preciso ligar para Maria, hoje é a tão sonhada viagem dela. Ela deve estar ansiosa.

Na Escola

- Eles chegaram! Gritou Ulisses sorrindo, e pensou agora estaria tudo resolvido. Conseguiu até respirar mais aliviado.

- Já estava na hora! Falou o Sr. Mauro com ar de autoridade e muito preocupado, saindo de onde estava parado olhando o vazamento como se tivesse o poder de arrumar tudo àquilo com a força da mente e indo em direção até o técnico.

            Os técnicos já tinham cortado a água, abriram um buraco e toda a escola iria ficar sem água por pelos menos 24 horas, abriu-se um buraco bem maior que o esperado no portão e os alunos deveriam sair por outra portaria.
            Dois homens trabalhando, o grupo da escola olhava curioso, tentando entender o que tinha acontecido e averiguando o que os técnicos iriam fazer para arrumar aquele estrago. De repente ouve-se um grito de dor. Todos olharam desesperados. E viram que uma pessoa tinha caído no buraco que os técnicos haviam feito para arrumar o vazamento.
            Era Maria, ela nem percebeu que tinham várias pessoas trabalhando na portaria do colégio e que todos os alunos estavam saindo por outro lugar. Daniel tentou avisá-la, mas foi tarde demais.
            Alguns correram em direção a Maria, ela chorava muito, dois homens tentaram tirá-la do buraco, mas ela gritou tanto que eles desistiram e pediram para chamar a ambulância.
Maria sentiu uma dor lancinante percorrer o corpo quando tentaram tirá-la do buraco.

- Ela quebrou o pé. Disse Mauro tentando dar um laudo médico.

- Tenta mexer o seu pé? Pediu o João.

- Ai. Dói demais, não consigo. Choramingou Maria.

- Ixi, ela quebrou o pé. Pede pra chamar a ambulância. Ordena o Sr. Mauro coçando a cabeça.
- Já chamaram. Disse um dos técnicos.
Maria estava com aspecto pálido, parecia que iria desmaiar, então Daniel se aproximou – Está tudo bem? Ele olhou para ela com vontade de abraçá-la, beijá-la e até gostou, por ela ter caído naquele buraco. Sentiu-se um crápula, pensando assim. Ele segurou na mão dela com muito carinho. Ela abriu os olhos e falou com dificuldade e chorando.

- Estou sentindo uma dor terrível, não consigo mexer minha perna. Maria não conseguia retribuir o carinho de Daniel.

- Eu tentei te avisar, mas acho que só atrapalhei. Ele disse olhando em seus olhos, como quem tenta falar “Eu te amo, olha pra mim”. Mas ele não disse nada, seus olhos brilhavam, mas ele não tinha coragem de se declarar para ela.
Maria recobrou as forças e falou devagar.

- Tudo bem, minha mãe vive falando que eu preciso prestar mais atenção por onde ando. Obrigada! Nesse momento ela caiu em um choro desesperado, todos olharam para ela e perguntavam “o que foi?” “O que aconteceu?”, Daniel ficou desconsertado, não sabia o que falar, até pensou que ela não tinha gostado da maneira como ele olhara para ela, porém o choro dela não era nada sério, ou melhor, não era sério para os outros, ou para a sua saúde. Era sério para Maria, pois ela se lembrou da viagem... Daniel tentou abraçá-la, deixá-la mais calma, mas nada a acalmava, por tanto tempo havia sonhado com aquela viagem e agora, o que poderia ter acontecido com seu tornozelo que doía tanto, será que poderia atrapalhar tudo o que tinha planejado... Ouviu-se o sinal da sirene ficando cada vez mais forte.
            Algumas pessoas estavam por volta de Maria. Juliana tentou de todas as formas aproximar-se, era a melhor amiga, mas ninguém deixou. Só falavam que tinham que se afastar para deixá-la livre, mas na verdade tinha uma multidão de professores, funcionários por volta dela e Juliana não teve nem chance de falar que estava por perto, ela viu de longe colocarem Maria na maca e levarem para dentro da ambulância. Daniel foi até a ambulância com ela, lhe deu um beijo no rosto, e então se afastou e os paramédicos fecharam a porta. Maria foi embora. Depois que a ambulância saiu, Juliana conseguiu conversar com Daniel e perguntar o que tinha acontecido.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Como resolver? 2a parte

“Deus cuida de cada detalhe”

Como resolver?

            Um fio de água próximo ao portão deixou  o porteiro do colégio preocupado.
- Um vazamento! Murmurou. Ele coçou a cabeça, andou de um lado para o outro e chamou a inspetora pelo interfone. – Carla está na escuta?

- Sim, respondeu de um jeito autoritário e áspero. Carla Vivas morava sozinha e se dedicava ao trabalho com todas as forças, chegava a ser legalista nas decisões e nas ordens, não cedia. Isso era bom para o diretor, pois controlava os alunos com um olhar. Os outros funcionários tinham aprendido a conversar e se relacionar com ela.

- Poderia chamar o João, tem um vazamento na porta do colégio e está ficando cada vez maior. Espantou-se o porteiro, que em segundos, viu o fio de água se tornar uma pequena torrente - alguém precisa ver isso logo, pois os alunos vão sair daqui a pouco e está ficando feio.

- Vou chamá-lo. Falando com a mesma voz autoritária e áspera, sem dar muita atenção ao caso, tudo o que os outros faziam não era tão importante quanto o que ela fazia.

            Não demorou muito, o João Silva, o “faz tudo do colégio” já estava no portão, conversando com o diretor falando que teria que quebrar para ver o que estava acontecendo. O Senhor Mauro não estava feliz com a ideia e coçava a cabeça, pensando qual seria a melhor alternativa. Ulisses, o porteiro do colégio, pensava nas crianças, mas Mauro estava preocupado com o dinheiro que teria que pagar para consertar o vazamento no portão da escola.
            Já estavam quase resolvendo o problema, já que era sexta-feira, por hora deixaria um aviso “Cuidado, piso molhado” e quebrariam a calçada no sábado, quando a escola estivesse vazia, então se ouviu um estouro.

- O que foi isso?

- AH! Gritou os três homens em frente à escola.


            O Senhor Mauro estava todo molhado, não foi preciso quebrar o piso ele foi arrebentado com a força da água. João correu para ligar para um técnico e Ulisses mandou recado para todos os funcionários para que não deixassem os alunos saírem da sala de aula até a segunda ordem. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Na Escola

Na Escola

“Para todas as coisas Deus tem um propósito”

            Maria Valverde estava sentada na carteira da escola próxima a janela. Ela olhava as nuvens. O dia estava nublado, mas muito abafado. Em alguns minutos da manhã o sol até tentou aparecer tímido, como se fosse inverno, mas o verão de 35° era sentido na pele, na garganta e no olhar. Em alguns se podiam ver o suor escorrendo na lateral da face; em outros, o cansaço e a indisposição; mas havia uma minoria que estava animada com o calor, pois o clube era o destino certo para depois da aula.
            Para Maria as sensações eram outras, não estava preocupada com o calor. Naquele instante olhando pela janela parecia que os segundos estavam lentos, que o mundo tinha abaixado o som para que ela conseguisse ouvir seus pensamentos e imaginar o que deveria fazer.
            Havia chegado o grande dia, e o clima era indiferente, parecia que nada importava mais do que o planejado, o desejado, a sonhada viagem. Ela estava em um mundo particular: o ar mais denso, a respiração mais forte e o coração acelerado num ritmo maravilhoso.
            O toque do sinal da escola avisou que a hora havia passado.
            Ela arrumou seu material apressadamente, enquanto isso seus colegas se despediam, eram abraços apertados, beijos, palavras animadoras e algumas lágrimas. Ele conseguiu colocar tudo na mochila e então viu que a Juliana estava parada na sua frente, neste momento não conseguiu conter as lágrimas e mais uma vez chorou. – Nós vamos nos falar todos os dias, entendeu? Juliana disse isso chorando.
- Eu não vou me esquecer de você. Vou sentir muito a sua falta, mas eu vou voltar, não vou ficar lá pra sempre, são sós 6 meses.
Juliana ajudou a pegar o restante do material e foi com a amiga até a porta.
- Oi. Preciso me despedir de você.
- Oi, Dani. Maria falou sem graça, olhando nos olhos dele.
Não houve muitas palavras, ele deu um abraço forte e disse bem pertinho da orelha.
- Vou sentir a sua falta, mas ficarei te esperando.
- Obrigada por me dizer isso.
Ela se afastou e disse que precisava sair rápido, porque precisava se arrumar, pegar as malas em casa, e seu pai iria leva-la ao aeroporto e não suportava atraso.
Juliana já tinha saído assim que viu o Daniel chegar e foi para o pátio, pois não aguentava mais chorar. Maria saiu da sala, passou pelo corredor. A mochila pesava nas costas. Falou tchau para todos os colegas, e se despediu com beijinhos em alguns. O coração palpitando cada vez mais forte, em poucas horas estaria no vôo, tudo o que era sonho, o que estava no papel estava prestes a se tornar real, não conseguia acreditar. Ela mal conseguia conter a ansiedade desta viagem, ela não acreditava que em poucos minutos estaria voando para a Europa, para conhecer o lugar onde seus avós viveram e se conheceram. Seus pensamentos estavam a toda velocidade e enquanto descia a rampa que dá acesso ao portão principal da escola, ela abriu a bolsa para pegar o celular e ligar para o seu pai, de repente alguém grita seu nome.

- Maria!

            Ela olhou pra trás, com um sorriso estampado no rosto, imaginando que mais alguém queria se despedir dela e desejar boa viagem e não viu o buraco a sua frente. Caiu. A dor foi instantânea, não conseguia pensar em outra coisa a não ser em seu tornozelo, o material havia batido com força no chão, a mochila foi parar longe, tentou se proteger com as mãos, mas quando viu que não havia maneira de remediar a situação caiu no chão se lançando totalmente e pendendo a cabeça para o lado.

Caída no chão, ofegante, tentando entender o que aconteceu, fechou os olhos e quando os abriu tudo começou a rodar, num momento improvável de reflexão pode perceber o quanto era pequena diante da imensidão do universo e pensou, parecia que as nuvens estavam mais rápidas: daqui é tão lindo olhar o céu com nuvens brancas, as árvores que compõe o cenário de beleza e a harmonia alegre do cantar dos pássaros. Deus, ela gritou e sentiu mais forte a dor que subia pela perna.

Postagem em destaque

O Superpoder Invisível: Como Pequenas Escolhas Constroem o Seu "Eu" do Futuro

 Você já teve a sensação de que o dia passou e você não saiu do lugar? Ou que existe uma versão de você — mais confiante, mais disposta e qu...