quinta-feira, 8 de junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Quem passa
Quem passa não vê
Quem passa não sente
Quem passa, só passa
Não para
Quem passa não fala
Quem passa não toca
Quem passa, só passa
Não para
quinta-feira, 4 de maio de 2017
contar uma história
Como jogar em palavras as emoções que sentimos todos os dias?
Almejamos viver uma vida de aventuras, conhecer pessoas novas, viajar, rir, estar com amigos, família.
Entramos em uma rotina, às vezes mal conseguimos descansar o suficiente, isso nos deixa mal humorados.
Não conseguimos ser a pessoas vibrante, alegre e cheia de vida...
O que vemos é um rosto cansado, triste...
Hannah Arendt fala que "toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história". Por isso escrevo para contar minha história, muitas vezes penso que a dor nos fortalece, nos faz ver o mundo como ele realmente é. Sou contra a filosofia hedonista, viver fugindo da dor, para mim, é viver fugindo daquilo que somos, seres humanos.
A alegria só pode vir por meio da essência, do que realmente somos, de onde realmente viemos e de quem realmente nos conhece: Deus.
Minha história começa muitos anos antes de nascer, meus avós começaram a contar uma história com as escolhas que eles fizeram e que afetaram diretamente tudo o que viria depois.
E olhar para todo, faz a rotina se tornar menos dolorosa, faz os problemas de hoje serem mais leves, me faz perceber que tudo passa...
Almejamos viver uma vida de aventuras, conhecer pessoas novas, viajar, rir, estar com amigos, família.
Entramos em uma rotina, às vezes mal conseguimos descansar o suficiente, isso nos deixa mal humorados.
Não conseguimos ser a pessoas vibrante, alegre e cheia de vida...
O que vemos é um rosto cansado, triste...
Hannah Arendt fala que "toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história". Por isso escrevo para contar minha história, muitas vezes penso que a dor nos fortalece, nos faz ver o mundo como ele realmente é. Sou contra a filosofia hedonista, viver fugindo da dor, para mim, é viver fugindo daquilo que somos, seres humanos.
A alegria só pode vir por meio da essência, do que realmente somos, de onde realmente viemos e de quem realmente nos conhece: Deus.
Minha história começa muitos anos antes de nascer, meus avós começaram a contar uma história com as escolhas que eles fizeram e que afetaram diretamente tudo o que viria depois.
E olhar para todo, faz a rotina se tornar menos dolorosa, faz os problemas de hoje serem mais leves, me faz perceber que tudo passa...
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
16ª parte- Desabafo
No final da aula
o tumulto de sempre, os alunos conversando, professores apressados, os pais se
aglomerando em frente ao colégio para buscar os filhos, peruas esperando os
alunos, mas algo estava diferente naquele dia, Daniel não estava no meio do
“agito”, pelo contrário sentado sozinho no banco próximo à cantina esperando a
Juliana, ele não estava a fim de conversar com os colegas. Mas logo perceberam
que ele estava “de bobeira”. A Bruna foi
se aproximando, sentou-se ao lado dele e puxou conversa.
- Oi Dani! O cumprimentou com um
sorriso e com uma voz melosa.
- Oi Bru! Respondeu de forma seca e
sem querer conversar ou dar alguma chance para um papo.
Ela percebeu que não conseguiria
desencadear uma conversa, mas insistiu.
- Como você está gatinho? Está
acontecendo alguma coisa? Ela chegou mais perto, colocou a mão sobre a perna
dele e tentou olhá-lo nos olhos. Mas foi em vão.
- Nada! Respondeu virando o rosto e
coçando a cabeça. Olhou para a direção de onde a Juliana poderia aparecer, mas
não a viu.
- Você pode confiar em mim Dani! A
gente poderia sair mais tarde... o que você acha? Ainda insistindo na conversa.
- Hoje não! Outra vez, respondeu
secamente e sem olhar pra ela.
- Ok! Não quer conversar, tudo bem. Ela
se levantou, ficou brava. Nesse momento chegou a Juliana que sem pensar muito foi
falando.
- Vamos conversar Daniel! Bruna,
você poderia nos dar licença, por favor!
- Já estava saindo, não se preocupe.
Ela foi embora empinando o tórax, com um ar de superioridade. Até porque ela
era uma das meninas mais bonitas da escola, e sabia que chamava a atenção e ela
usava e abusava dessa sua “qualidade”.
- E aí, vai falar ou vai ficar
olhando a Bruna ir embora...
- Não estou olhando pra ela, estou
olhando para a Maria. Ele suspirou, voltou o olhar para a Juliana, ela estava
coçando a cabeça como quem diz: Vai falar ou não vai?
- Ah ta, eu acredito que estava
olhando pra Maria. O que você quer, Daniel?
- É tanta coisa Ju. Em casa, com meu
pai, com a igreja e eu acho que estou gostando da Maria, mas parece que ela
ficou distante, mandei vários e-mails ela me respondeu um pouco grossa, tentei
conversar com ela, mas senti que ela não queria falar comigo. Foi falando
devagar, como alguém que vai contando um segredo aos poucos.
- Você tem certeza que está gostando
da Maria, Daniel? Pois se estiver, você precisa mudar algumas coisas. É claro
que ela deve estar estranha com você, você se acha o lindo, sai com todas as
meninas que te dão bola, no shopping a Bruna só falava de você e com certeza
ela escutou tudo. Juliana já respondeu tudo rápido e sem enrolar.
Ele ficou olhando pra ela, ficou em
silencio por alguns segundos e resolveu falar o que estava deixando ele
chateado, mas não era uma conversa humilde.
- Em casa, está muito difícil, eu
sei que fiz coisa errada, sabe. Mas fui pedir perdão pro meu pai, ele já achou
que eu estava fazendo isso porque queria algo em troca.
Daniel falava com toda a autoridade
que tinha direito, cheio de razão, tentando convencer a Juliana dos muitos
problemas pelos quais ele passava. Não conseguiu!
- Eu não consigo entender, você não
sabe o que quer e culpa os outros dos seus problemas.
- Está tudo muito difícil, não sei o
que fazer.
- Não sabe o que fazer? O que é isso
Daniel? Você que me ajudou a buscar a Deus nos momentos que eu mais precisava,
estava insuportável a convivência em casa e quando eu fui conversar com você,
qual foi a solução que me apresentou? Jesus! Você vai ficar aí se lamentando,
deixando de conversar com seus amigos, fingindo ser uma pessoa que não é e não
vai procurar a pessoa certa?
Ela parou, respirou fundo e
continuou:
- Está na hora de decidir o que você
quer, você sabe na teoria, que Jesus pode ajudar, mudar, mas você ainda não
teve uma experiência com ele. Por que você resiste tanto? Não entendo, é bom
para os outros, mas para você não. É isso?
- O que foi? Eu quero conversar e
não ouvir sermão. Poderia me ouvir um pouco? Daniel tentava se defender.
- Ouvir o quê? Você se lamentando.
Para com isso Daniel. Eu passei por uma experiência tão maravilhosa esse final
de semana e você não estava lá, a pessoa que me levou até Jesus. E sabe por que
você não estava lá, por pirraça, para atingir o seu pai. Porém, você está só se
prejudicando.
- Eu tenho raiva do meu pai, ele
exige tudo e mais um pouco, preciso ser o filho exemplo. Desabafou.
- Ah! Então é por isso que você faz
exatamente ao contrário?
- Posso continuar, eu posso falar?
Disse alterando a voz.
- Claro! Juliana deu de ombros.
- É que eu queria que as coisas não
fossem tão rígidas, que ele não pegasse tanto no meu pé. E eu também, nem sei
se gosto de ir à igreja... Sei lá, eu quero sair com os meus amigos, toda vez
preciso sair escondido, preciso inventar uma desculpa, contar uma mentira para
ir para as baladas. Eu to cheio disso, me sinto mal mentindo para ele, mas eu
não vejo alternativa.
- É esse o problema. Tudo gira em
torno de você, o que você pode ou não fazer, na verdade, Daniel, eu não tenho
solução para os seus problemas. Estou falando do que vejo com base no pouco que
aprendi. O que eu sei é que ir ou não a igreja não faz diferença nenhuma. A
questão é uma vida diferente. Enquanto você fica pensando nas coisas que você
deve ou não fazer, realmente é tudo muito chato, é religiosidade. Você sabe
disso!
- Eu tenho dúvidas em relação a
isso.
- Dúvidas? Daniel, você precisa se
decidir.
- Se eu mudar será que eu tenho
chance com a Maria?
- Tudo errado. Você não pode tomar
uma decisão por causa de uma pessoa. Essa decisão é sua. E viver uma vida de
mentiras só vai te levar ao desespero.
Eles ficaram parados, olhando um para
o outro, Juliana queria tanto que o amigo pudesse ver o que ele estava fazendo.
Mas não sabia mais o que falar.
- Você falou que passou por uma
experiência legal esse final de semana. Foi com seus pais? Daniel quebrou o
silêncio, mudando um pouco de assunto.
- Foi Dani, estou muito feliz! Meus
pais foram assistir à peça que nós apresentamos na praça esse final de semana,
eles gostaram muito e no domingo foram à igreja comigo.
- A Maria também foi?
- Você sabe que ela foi Daniel...
com certeza seus pais te falaram... lembra o ano passado, quando fui conversar
com você? Em um ano vi uma mudança na minha vida e agora em toda a minha
família.
Daniel sorriu. Abraçou a amiga.
- Muito obrigada Ju! Agora eu
preciso ir pra casa, falei para o meu pai que só ficaria uma hora a mais na
escola.
- Tchau Dani, eu estarei orando por
você!
Juliana acreditava que por meio da
oração muitas coisas poderiam se resolver. E logo depois que o Daniel foi
embora, ela foi comer alguma coisa na cantina e foi estudar, pois teria que
esperar até às cinco horas para ir embora.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
15ª parte - Precisa ser diferente para valer a pena viver
Mudanças
A casa estava estranha, faltava
alguma coisa, olhou nos quartos, na cozinha e parou na sala, pelo vidro da
janela conseguia ver uma árvore e entendeu que não faltavam coisas na casa
dela. Era sua família que há muito tempo, sem querer, ela entendia, havia
abandonado os sonhos.
Ela tinha vivido momentos
extraordinários, naquele final de semana e agora estava em casa, sozinha como
sempre procurando algo. Sabia que era hora de dormir, tinha definido em seus
planos, na sua mente, na forma como entendia as coisas que se obedecesse e
cumprisse com seus deveres conseguiria tudo o que desejava.
Compreendeu naquele momento que isso
não bastava, queria muito conversar com os pais, mas com certeza estariam
trabalhando ou com alguns amigos. Foi engraçado quando se deu conta, de que
havia acontecido algo maravilhoso consigo, mas nem passaria pela cabeça dos
seus pais. Eles nunca sabiam de nada novo que acontecia com ela.
Ainda estava em pé na sala quando
alguém abriu a porta. Olhou rapidamente e se sentiu desconfortável, parecia que
estava fazendo algo errado. Era sua mãe.
- Maria. Está tudo bem? Miriam
perguntou assustada, geralmente esse horário ela estaria dormindo, o que estava
fazendo ali na sala.
- Tudo bem, mãe. Por quê? Perguntou
tentando parecer segura e para que a mãe entendesse que seria normal ela ficar
na sala. Qual o problema? Só que ela estava com medo. Não conseguia sustentar
um olhar por muito tempo, e sedia as pressões dos seus pais.
- Achei estranho te encontrar a essa
hora acordada.
O olhar da mãe deixou Maria sem
resposta, então foi para o quarto sem dizer nada.
Ela gostaria de voltar e contar tudo
para a sua mãe, de falar o que estava sentindo e como sentia falta dela, até
foi à porta ficou parada por uns instantes, ouviu a mãe arrumar algo para comer
e ouviu o pai chegando mais tarde... foi para o quarto.
Ligou o
computador e entrou no facebook, viu que tinha uma mensagem in box.
- Leo?
“Oi Maria, tudo
bem? Eu sou o Leo, seu amigo de classe. Nós conversamos no shopping na semana
passada. Me add, please. Bj”
Ela ficou
interessada, o Leo era bonito, inteligente, tinha gostado de conversar com ele,
mas ele também era muito fechado. Adicionou ele no face e respondeu a mensagem.
“Oi Leo, eu
estou bem. Já te add. E você, como está? A gente se vê na escola. Bj”.
De manhã ao acordar estava tudo
pronto, sua mãe ainda estava dormindo, seu pai já tinha saído para trabalhar e
seu café estava lá, no mesmo lugar. Quem fazia o café para Maria era o seu pai
que deixava na garrafa térmica para não esfriar, tinha dois pães, ela sempre
comia metade de um e sabia que sua mãe comeria o outro.
Naquele dia teve coragem de escrever
um bilhete para sua mãe.
“Bom dia!
Sei que você trabalha muito, mas gostaria
de um tempinho com você e com o papai, faz quase um ano que não saímos juntos.
Estou com saudades.
Beijos,
Sua filha”
Ela foi até a frente do condomínio
esperar a condução que a levava para escola e foi sorrindo, feliz consigo mesma
por ter escrito um bilhete para sua mãe. Quando chegou a escola a primeira
pessoa que ela viu foi a Juliana que por sinal estava com um sorriso radiante,
até parecia que estava a frente do colégio esperando-a chegar.
- Como você está?
- Poderia falar oi, primeiro...
- Oi Maria. Tudo bem? Juliana falou
com um tom de deboche.
Maria fez uma careta como alguém que
não gostou muito do que ouviu e sorriu para a amiga.
- Eu estou bem.
- Só, está bem. E o que aconteceu
esse final de semana, não vai me contar como foi na sua casa...
Maria ficou triste, chateada.
Juliana entendeu tudo, ela também não conseguia conversar com os pais. Ela
explicou que com ela foi assim também e contou sobre a conversa com eles no
domingo a noite, como foi bom e que estava feliz.
- Como eu gostaria de conversar mais
com meus pais, ou melhor, conversar pelo menos um pouco com eles. Estão sempre
ocupados, trabalhando. Só conversamos quando algo fica muito sério, para
resolver alguma coisa, geralmente comigo.
- Não fica chateada Maria, aos
poucos tudo vai mudar.
Maria sorriu e disse que já estava
mudando, pelo menos com ela, pois tinha conseguido deixar um bilhete para sua
mãe. Juliana a abraçou toda eufórica e disse que ela mandou muito bem. E daí, tocou
o sinal para entrarem na sala.
- Tenho algo
para falar com você.
- O que é?
- O Léo me
chamou no face.
- Sério?
- Pediu para eu
adicionar ele, perguntou como eu estou...
- Hummm, ele é
um gatinho. De todos os meninos da sala ele é o mais gato, e ainda mega
inteligente, amiga.
- Ele é bonito
mesmo, você precisa ver as fotos dele no face, uau.
- (risos) Eu
quase nem entro no face. Arrasando corações hein. Cuidado para o Daniel não
ficar com ciúmes.
- Vai sonhando.
A semana na escola foi agitada. Juliana
e Maria conversaram bastante com a Bia, que também havia estado na praça
assistindo a peça de teatro. Bia estava feliz com tudo o que tinha acontecido,
disse que tinha conversado com seus pais sobre tudo que tinha visto e ouvido, a
mãe ficou feliz, mas o pai não deu muita bola para o assunto. A Bia sempre foi
muito engajada em obras sociais, atenta as necessidades das pessoas, e em
relação a esse assunto muito discreta, ela gosta muito de conversar, falava
sobre filmes, sobre as pessoas, era direta. Ela já frequentava uma igreja, e
cuidava para não decepcionar o seu pai que era muito tradicional. Ela gostou
muito da peça, da maneira como apresentaram, da alegria das pessoas, mas apesar
de estar animada não estava tão firme e convicta de estar junto com a turma da
Juliana quanto a Maria. Ela pensa diferente.
As três começaram a ficar juntas no
intervalo, conversavam bastante e a Bia tentava trazer a Bruna para perto, mas
ela não estava gostando da idéia de ficar perto da Maria e muito menos da
Juliana que “bancava uma certinha”, ela tinha outros planos.
Daniel ficou distante o tempo todo,
quieto, mal cumprimentava, os meninos brincavam com ele, mas ele não ligava.
“Não tava a fim de brincadeira”, era o que ele respondia para os seus colegas
que estavam acostumados e “zoar” com a fama de “pegador” dele. Por muitas vezes
Maria olhava para ele, só que era outro olhar, de dúvidas e decepções, estava
decepcionada com a conversa que tinha ouvido no shopping, quando estavam
entrando no cinema e suas dúvidas eram, se ele ia à igreja, era filho de
pastor, por que não era igual a Juliana.
E o Léo estava tentando se aproximar
da Maria, sentou-se ao lado dela na sala, perguntou sobre algumas matérias e
até arriscava algumas brincadeiras. O Léo aproveitou a distancia do Daniel para
falar que não ia muito com a cara dele e que achava ele falso, pois ia a igreja
e aprontava muito.
Maria começou a ver o Daniel como um
mau caráter. Um hipócrita!
Na verdade Daniel estava passando
por uma avalanche de sentimentos confusos e também estava com dúvidas. Ficou
sabendo pela mãe que Maria tinha ido à igreja e ficou aliviado por não ter ido
aquele dia. Tinha que conversar com alguém, só não sabia quem.
Mas foi Maria quem deu a idéia para
Juliana se aproximar do Daniel, apesar da recusa, mas com a insistência de
Maria. Ela foi.
- Oi Dani! Aproximou-se dele,
sentou-se ao seu lado.
- O que você quer Juliana? Algum
recado? Ele nem olhou para ela.
- Não Dani. Nenhum recado. Eu quero
saber por que você está assim? O que está acontecendo? Falou rápido e brava, já
se arrependendo de ter ido conversar com ele.
Ele ficou em silêncio, não olhou
para ela, fitava qualquer coisa no chão. Ela ainda ficou algum tempo ali. Até
porque, já que tinha ido até lá, não iria desistir facilmente. Então quebrou o
silêncio.
- Eu vou embora Dani, eu sei o que
aconteceu com você esse final de semana, sei que ficou de castigo, e por isso
não foi ao shopping, fique tranqüilo não contei a ninguém. Gostaria de te
ajudar, assim como você me ajudou, mas se não quer conversar, eu não vou
insistir. Quando precisar sabe que pode contar comigo.
Ela estava se levantando para ir
embora.
- Ju, fica aqui mais um pouco. Disse
com uma voz rouca e pausadamente.
Ela voltou se sentou ao lado dele e
ficou esperando.
- A Bruna mandou recado falando que
quer ficar comigo...
- Eu tenho certeza que não é isso
que esta te deixando preocupado e insuportável, você vai falar sério ou não?
Ele deu risada.
- Não, não é, até porque problemas
com meninas lindas, eu nunca tive. Falou dando risada e debochando da Juliana.
Voltou a ser o Daniel de sempre.
- Dani, você vai falar algo sério ou
não. Ela já estava impaciente.
- Até gostaria Ju, mas agora não tem
como. Podemos conversar depois da aula, você vai ficar aqui na escola?
- Não iria, mas...
- Mas então você vai ficar, por
favor, preciso conversar.
- Esta bem. Ela deu um beijinho nele
e foi para a sala. Maria já estava lá e quando a amiga entrou a encarou com um
olhar de interrogação, mas logo atrás dela entrava o Daniel.
Em todas as aulas o Daniel estava
compenetrado, ouvindo tudo, tirando dúvidas. O pessoal da sala não agüentou e
começou a tirar sarro.
- O que aconteceu com você??? Virou
nerd?
Ele rebatia as brincadeiras.
- Só estou tirando dúvidas, quero
aprender, qual é o problema?
A sala deu risada e o professor
continuou com as explicações.
domingo, 15 de janeiro de 2017
14ª parte - Perdoar é algo sublime e eterno!
A conversa
- Filha, eu e o seu pai queremos
conversar com você.
- Sim, mãe. O que vocês querem
falar?
Eles se sentaram no sofá da sala, os
pais de Juliana sentaram juntos na poltrona maior e Juliana logo a frente deles
na menor. Ela olhou para eles esperando para ouvir, até pensou que fosse alguma
repreensão.
- Querida, nós ficamos muito felizes
de você ter nos convidado para assistir sua peça, queríamos falar com você há
algum tempo, mas não sabíamos como. Notamos uma mudança na sua vida e isso nos
deixou muito felizes e ao mesmo tempo curiosos para saber o que teria provocado
isso.
Juliana ficou assustada olhando para
eles, ela sempre quis que os pais fossem a igreja com ela, mas não tinha idéia
que eles queriam ir, ela tinha medo de convidá-los. Nesse momento o pai começou
a falar.
- No início eu fiquei muito
preocupado com você. Fiquei com medo também, pois ouvia os outros falarem que
igreja evangélica fazia lavagem cerebral e só pedia dinheiro. Então fiquei
observando pra saber se você levava dinheiro pra lá. Mas ao contrário você
mudou bastante em casa e eu e sua mãe começamos a conversar sobre essa mudança
e ficamos curiosos para conhecer o lugar onde você estava indo, todo o sábado e
domingo.
O silêncio tomou conta do lugar, os
olhos da Juliana se encheram de lágrimas, a mãe também estava chorando, por
alguns segundos ficaram se olhando tentando entender aquele momento de diálogo
que há muito tempo não existia entre eles. Foi a Juliana quem quebrou o
silêncio.
- Vocês são muito especiais pra mim.
Por muito tempo nós brigávamos muito, por isso quando comecei a ir à igreja
pensei que vocês não iriam aprovar, por isso não os convidava para ir comigo.
Até tentei algumas vezes. O meu medo era não ser aceita, ou vocês me proibirem
de ir, essas coisas. Mas estou muito feliz! Muito feliz mesmo.
A mãe de Juliana estava chorando e o
pai a abraçou e disse:
- Nós também estamos felizes, filha.
Queremos ir à igreja com você todos os domingos, precisamos entender muita
coisa, mas sei que com o tempo vamos aprender. E nós queremos nos desculpar.
- Desculpar. Juliana ficou pensando.
Por quê?
Nesse momento a mãe começou a falar.
- Muitas vezes nós só brigávamos com
você, gritávamos, pois estávamos perdidos com a mudança pela qual você estava
passando. Nunca paramos para te ouvir, para conversar, como estamos fazendo
hoje. Perdoa-nos filha, erramos. Mas erramos com a intenção de acertar, nós
amamos muito você.
Foi inevitável segurar as lágrimas e
aos prantos Juliana foi até os pais e os abraçou e disse que os amava muito e
que ela também precisava pedir perdão, pois por muitas vezes mentiu pra eles. O
pai também chorou e foi um momento maravilhoso e cheio de emoção. Mas o que
moveu aquele momento e o fez único foi a presença de Jesus naquela família.
A partir desse dia muita coisa mudou
na casa da Juliana, ela e os pais começaram a conversar mais, ainda havia
algumas brigas. O irmão continuava pentelhando, mas Juliana começou a ter um
pouquinho de paciência com ele. Porém de vez em quando ela gritava e ficava
muito brava.
Na escola, algumas mudanças...
sábado, 14 de janeiro de 2017
13ª parte - Uma nova vida invadiu meu coração
Uma nova vida invadiu meu coração
Domingo
Cinco horas da tarde e uma correria,
a família Lima não tinha o costume de sair no domingo à tarde, mas aquele dia
foi atípico, todos iriam à igreja. Juliana estava muito feliz, os pais
apreensivos, pois não sabiam o que poderiam encontrar por lá, e ainda teriam
que buscar a Maria na casa dela. A Bia não poderia ir, seus pais não deixaram.
- Vamos mãe, nós estamos atrasados,
não podemos chegar tarde é muito chato.
- Calma Juliana, eu estou terminando
de arrumar seu irmão.
Depois de toda correria, chegaram à
igreja, eles foram recebidos muito bem, algumas pessoas vieram conversar com
eles e em pouco tempo a família Lima estava mais a vontade na igreja.
Aquele dia o pastor ministrou sobre
a “Grande Comissão”
-
“Nós nos tornamos sacerdotes diante do Senhor, quando aceitamos Jesus, para
anunciar as boas novas. O objetivo de estarmos aqui é de transmitir a glória de
Deus às pessoas. O propósito de Deus é que sejamos luz no mundo e sal na terra.”
Juliana ouvia as palavras e estava
pensando, por que luz e sal? Por que tenho que transmitir a glória de Deus? Mas
outra coisa chamou sua atenção na ministração:
-
“Mateus 28:18-20 nos ensina que devemos ir pregar o evangelho por todo o mundo.
Temos que anunciar o evangelho na escola, no trabalho, no shopping, na
academia. Em todo o tempo, em todo lugar, em qualquer situação pregai o
evangelho”
Desde que conheceu a Jesus Cristo,
Juliana sempre teve o desejo de falar do amor de Jesus e de contar como havia
sido transformada para todas as pessoas que ela gostava, mas falar dessa
mudança e desse novo amigo para outras pessoas, em todo lugar ainda não tinha
passado pela cabeça dela.
Porém, não conseguia entender, como
ela poderia ser luz e sal no mundo. Preciso falar com a Pâmela. Pensou.
No final do culto os pais de Juliana
estavam emocionados, a Maria tinha feito algumas perguntas no decorrer da
palavra, mas muitas a Juliana não conseguia responder, prometeu que enviaria um
e-mail para ela explicando tudo.
Elas ficaram conversando, Maria
falou que foi muito bom ter ido à igreja com ela e disse que estava feliz.
- Ju, muito obrigada por ter me
convidado para assistir sua peça. Eu precisava de algo diferente pra mim.
- Eu fiquei muito feliz de te ver lá
e de você ter vindo hoje conosco a igreja. Essa é a primeira vez dos meus pais
também. Eu venho sozinha faz uns 7 meses.
- Como você começou a vir à igreja?
- Bom, é uma história legal, vou te contar. No ano
passado, estava muito triste, pois em casa só havia brigas, minha mãe vivia
falando que eu não conseguia fazer nada certo, eu e o meu irmão brigávamos o
tempo todo. Eu queria sair com os meus amigos e os meus pais não deixavam,
cheguei até a sair escondida uma noite, mas quando voltei meus pais estavam
desesperados me esperando. Fiquei de castigo um mês.
- Nossa. Interrompeu Maria
assustada.
- É, estava tudo chato, eu não
conversava muito com meus pais, quando tentava era só briga. Mas eu comecei a
conversar um dia com o Daniel...
- Daniel?! Os olhos da Maria
brilharam ao ouvir o nome dele.
Juliana sabia que ela estava
gostando dele e vice versa, sorriu e continuou a história.
- O Daniel é ... deixa pra lá... ele
é legal e me ajudou muito. Ele me convidou para participar do devocional que
acontece de quinta-feira no segundo intervalo na escola. Sabe qual eu estou
falando?
- Ah, eu sei. A Bruna tinha me
falado que é muito chato, que vocês ficam falando sobre o que pode fazer e o
que não pode.
- Não Maria, não é bem assim. O
devocional mudou a minha vida, quando o Daniel me convidou e falou que o
pessoal orava, e estudava a bíblia, eu também achei muito estranho, e quis
conferir para saber se era verdade. Até porque vindo do Daniel.
- Por que do Daniel?
- Ah Maria, acho que você já
percebeu, ele é a atração na escola, convencido, fica com todas as meninas, e
as meninas correm para os braços dele. E ele se acha o lindo. Juliana parou e
viu que a face de Maria não era das melhores. – Me desculpa Maria, já percebi
que gosta dele, mas o Daniel não é alguém pra gente gostar, só pra achar
bonito.
Maria sorriu. – pode continuar a sua
história, amiga.
- Bom, então eu fui com o Daniel
para o devocional e naquele dia falaram exatamente sobre os problemas pelos
quais eu estava passando com minha família e no final a professora que estava
falando perguntou se alguém na sala gostaria de aceitar Jesus como Senhor e
Salvador. A mesma oração que vocês fizeram ontem. Eu senti algo tão maravilhoso
e disse para o Daniel que queria conhecer mais.
- E foi assim que você começou a
freqüentar a igreja?
- Foi. O Daniel me convidou para ir à
igreja no domingo, eu conversei em casa e meus pais deixaram, então os pais do
Daniel foram me buscar. E eu amei esse lugar e não saí mais, tem uma pessoa que
eu quero que você conheça.
Juliana pegou Maria pelo braço e a
levou até a Pâmela.
- Oi Pam. Tudo bem?
- Oi Ju, eu estou bem e você.
- Tudo bem! Quero te apresentar
minha amiga Maria.
- Eu a conheci, ontem, Ju.
- É verdade, você orou com ela.
Maria e Pâmela se abraçaram, e logo
se despediram, pois Pâmela tinha que conversar com outras pessoas. Então, Maria
perguntou:
- Ju, se o Daniel te trouxe para
essa igreja, onde ele está?
- Hum... acho que ele não veio
hoje...
- Por quê?
- O Daniel é cheio de problemas, ele
é uma boa pessoa, mas vive se metendo em confusão, e os pais dele são rígidos.
Ah o pai dele é aquele homem que ministrou a palavra hoje.
- O pai dele é o pastor? Maria ficou
assustada em saber que o Daniel era filho de pastor.
- Isso mesmo! Juliana sorriu e
completou. – Mas ele não gosta muito desse título.
- Que título?
- De filho de pastor!
As duas deram risada e os pais da
Juliana as chamaram para irem embora. Deixaram Maria em casa e depois tomaram
um lanche. Quando chegaram em casa, Bruno foi para o quarto e os pais da
Juliana foram conversar um pouco com ela.
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